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02/06/2014 11:46 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:42 -02

China barra Google às vésperas dos 25 anos dos protestos em Tiananmen

Getty Images
BEIJING - JUNE 5, 1989: (JAPAN OUT) (VIDEO CAPTURE) A lone demonstrator stands down a column of tanks June 5, 1989 at the entrance to Tiananmen Square in Beijing. The incident took place on the morning after Chinese troops fired upon pro-democracy students who had been protesting in the square since April 15, 1989. (Photo by CNN via Getty Images)

Os serviços do Google estão sendo interrompidos na China antes do 25 aniversário, nesta semana, da repressão a manifestantes pró-democracia em 1989 na Praça Tiananmen, em Pequim, disse nesta segunda-feira uma entidade que fiscaliza atos de censura.

A GreatFire.org disse em publicação em um blog que o governo parece ter começado a censurar o principal mecanismo de busca do Google e também o Gmail, entre vários outros serviços, pelo menos desde a semana passada, tornando-os inacessíveis para muitos usuários na China.

A entidade acrescentou que a última vez que havia constatado tal bloqueio fora em 2012, quando durou apenas 12 horas.

“Não está claro se o bloqueio é uma medida temporária pela proximidade do aniversário (da manifestação) ou se é permanente. Mas, considerando que já dura quatro dias, é mais provável que o Google seja severamente interrompido e pouco usado de agora em diante”, disse o grupo.

Questionado sobre a interrupção, um porta-voz do Google disse: “Checamos isso extensivamente e não há nada errado do nosso lado”.

O relatório de transparência do próprio Google, que mostra detalhes sobre seu tráfego global, mostrou níveis mais baixos de atividade na China a partir da sexta-feira, o que poderia indicar uma significativa interrupção.

A Reuters não conseguiu encontrar representantes do governo para comentar nesta segunda-feira, que é feriado nacional na China. O governo chinês costuma responde a tais relatos afirmando que as empresas de Internet que operam no país têm que obedecer a lei.

Em 2010, o Google levou seu sistema de busca chinês para fora do país, a segunda maior economia do mundo, citando uma forte censura, e agora opera esse serviço a partir de Hong Kong.

O governo chinês já bloqueia sites populares como Facebook FB.O, Twitter TWTR.N e YouTube, este último também do Google.

Para o Partido Comunista, as manifestações de 1989 na Praça Tiananmen e em outras cidades permanecem um tabu, particularmente no 25o aniversário.

O governo deteve vários ativistas no mês passado, após terem ido a um encontro sobre os protestos, incluindo o proeminente advogado Pu Zhiqiang.