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31/05/2014 17:17 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:42 -02

Eduardo Campos chama Dilma de "madrinha da inflação" e Marina Silva diz que PT e PSDB não fizeram o necessário

ED FERREIRA/ESTADÃO CONTEÚDO

Em meio à necessidade de aportes bilionários para organizar as contas das empresas de energia, o problema que afeta o nível dos reservatórios e ativação de térmicas para suprir a demanda nacional, o provável candidato à Presidência, Eduardo Campos, atribuiu a atual crise do setor elétrico à presidente Dilma Rousseff. Nesta mesma semana, o pessebista já havia culpado Dilma diretamente pela alta do custo de vida, apelidando-a de "madrinha da inflação".

Num seminário para discutir diretrizes do programa de governo da chapa encabeçada pelo ex-governador de Pernambuco e que terá a ex-ministra Marina Silva como candidata a vice, que acontece neste sábado (31), Campos lembrou que o setor elétrico brasileiro é comandado desde 2003 por Dilma, à época ministra de Minas e Energia do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Há 12 anos a presidente da República comanda o setor elétrico do País. Dá uma olhada no setor de energia como ele vai", disse Campos, que também afirmou que a crise tem feito com que os produtores do Centro-Oeste comprem geradores de eletricidade próprios para seguir operando.

O pré-candidato do PSB afirmou ainda que nos últimos três anos a matriz energética brasileira se tornou mais "suja" e que fontes renováveis começaram a "perder expressão". "Abandonamos o planejamento e o respeito a quem estudou (o tema), o respeito ao princípio fundamental da impessoalidade", argumentou, ressaltando que o Conselho Nacional de Política Energética foi enfraquecido no atual governo.

Em sua fala, Campos também disparou críticas contra a presidente pela condução da política econômica, sobretudo o baixo crescimento e a inflação. Sobre o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) no último trimestre, afirmou que as projeções indicam que o atual governo chegará ao fim com os índices de crescimento mais baixos da história republicana brasileira.

A ex-senadora Marina Silva também estava presente no evento e afirmou que tanto o PSDB quanto o PT não fizeram o necessário em suas respectivas administrações no governo federal. "O PSDB já teve uma chance de dizer e fazer pelo Brasil.

Não disse o que precisava e não fez", declarou. "O PT já teve a sua chance. E não disse tudo o que precisava, porque nunca priorizou o desenvolvimento sustentável. É a vez de reconhecer as coisas boas que os dois governos fizeram, nos comprometermos com sua manutenção, mas também com a correção dos erros.”

Marina aproveitou ainda para dar sequência ao plano da legenda de, por meio da candidatura Campos, tentar evitar uma eleição polarizada entre PSDB e PT. Por isso, ela citou que o Brasil tem convivido atualmente com "crescimento baixo, juros voltando a subir e com o risco da inflação". De acordo com a ex-ministra, a candidatura de Eduardo Campos é a única entre as apostas que pode preservar a estabilidade econômica - em referência ao governo Fernando Henrique Cardoso - e a inclusão social - do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Não vamos parar por aí, porque para a frente é que se anda. O povo não quer dar passo atrás", concluiu.