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31/05/2014 20:29 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:42 -02

A menos de duas semanas da Copa, infraestrutura aérea apresenta obras incompletas e passagens altas

Drew Coffman/Flickr

A 12 dias do evento, já sabemos e é fato: teremos Copa. E teremos também problemas no setor aéreo. Mas não onde todos imaginam.

Segundo dados do Portal da Transparência consultados no , oito das cidades-sede da Copa do Mundo estão com obras atrasadas nos terminais de passageiros. Algumas apresentam status de conclusão preocupante: Porto Alegre tem 2% das obras do terminal de passageiros concluída e Fortaleza 16%. Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Salvador e Brasília apresentam conclusão em pouco mais de 50% e Manaus tem a obra mais avançada nos terminais: 85%.

Se o chamado "caos do setor aéreo da Copa do Mundo" acontecer, ele será (ainda bem) em terra. Eduardo Sanovicz presidente da Associação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear) assegura que "a aviação é uma operação de risco zero. Nós não corremos risco. Toda nossa mentalidade de formação e nossa prática é feita para resolver problema. Aviões tem hora para decolar e pousar". Por outro lado, admite que os atrasos das obras"afetam o atendimento ao passageiro. As obras que não estão prontas estão ligadas ao terminal, quem vai acabar vendo isso é o passageiro".

Ainda segundo a Abear, serão quase 18 mil voos extras. Haverá aproximadamente 500 aviões no ar e 44 mil trabalhadores em terra. E uma coordenação central de todo sistema feita pelo Centro de Gerenciamento de Navegação Aérea. "É uma operação histórica, a maior já montada pelas empresas aéreas do país" explica Eduardo.

Apesar dos claros atrasos, o governo não demonstra tanta preocupação. Em entrevista para a Reuters, o ministro-chefe da Secretaria de Aviação Civil (SAC), Moreira Franco, garantiu que os aeroportos das cidades que vão sediar a Copa do Mundo estarão com suas obras prontas para receber o fluxo de passageiros durante o torneio, tirando Fortaleza que deve operar com um terminal provisório.

"O que nos dá tranquilidade é que na Copa vamos estar em condições de atender a demanda que vai vir para o Brasil", disse o ministro durante uma coletiva. Sanovicz endossa a fala do ministro: "o número de passageiros durante o evento é menor do que o número de passageiros em dias regulares".

Se há tranquilidade por parte de governos e empresas sobre a infraestrutura e a demanda, os preços de passagens continuam a ser um fator preocupante para aqueles que pretendem chegar ao Brasil no intuito de visitar várias das cidades-sede com os ingressos para alguns dos jogos na mão.

Os valores das passagens são preocupação antiga fora do país e uma reportagem do jornal Folha de São Paulo da última quinta-feira apontou que as passagens estão custando mais de cinco vezes seu valor regular em alguns dias de jogo da Copa do Mundo.

O preço alto das passagens, porém, é balanceado pelo valor baixo em dias e horários que não estão relacionados diretamente com o Mundial: segundo a Anac, a tarifa média de voos no país recuou 33% no mê de março. Os valores para voos agendados para o horário das partidas também caiu. Segundo a Folha, é possível encontrar voos por até R$ 150 durante jogos.

A Abear se defende através da lei da demanda. "Os jogos 'clássicos' tem mais público" explica Eduardo. "Há passagens para jogos que estão praticamente de graça, basta pesquisar. Se por acaso a demandar mostrar que tem algum voo que não há oferta de passagens, nós ajustamos a oferta. Essa oferta tem limite, claro, mas estamos confortáveis com isso. Nós vamos ter capacidade de alterar a oferta caso seja necessário".

Com a Copa do Mundo prestes a iniciar e diversos problemas envolvendo obras nos terminais de passageiros, o setor aéreo traz uma lição: se você quer curtir o Mundial, trate de se preparar para eventuais enxaquecas, porque vai ter Copa e vai ter voo, mas o incômodo nas áreas de passageiros é quase certo. Mas se você não está nem aí para a Copa pode até tirar proveito do "caos aéreo".