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26/05/2014 20:52 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02

Greve de ônibus em SP: Justiça multa sindicatos em R$ 200 mil; metroviários ameaçam parar

MARCELO D. SANTS/FRAME/ESTADÃO CONTEÚDO

O colegiado do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região considerou nesta segunda-feira (26) abusiva a greve dos rodoviários da capital paulista. A paralisação parcial de motoristas e cobradores, na semana passada, chegou a interditar metade dos 28 terminais de ônibus da cidade. O movimento foi deflagrado por profissionais que se diziam insatisfeitos pelo acordo coletivo aprovado em assembleia pelo sindicato da categoria.

Os grevistas deverão compensar os dois dias parados com uma hora a mais de trabalho por dia. Os sindicatos dos Motoristas e Trabalhadores Rodoviário Urbano de São Paulo (Sindmotoristas) e das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo (SPUrbanuss) vão pagar multa de R$ 200 mil, em partes iguais.

Apesar das entidades alegarem não ter participação direta na greve, a relatora, desembargadora Ivani Contini Bramante, avaliou que ambos têm responsabilidade nos prejuízos causados à população. A sanção - R$ 100 mil por dia de paralisação - será revertida para a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.A audiência, que durou 1h30, avaliou que o movimento desobedeceu as normas legais. Faltou, segundo os desembargadores, aviso prévio (os grevistas deveriam anunciar a paralisação com pelo menos 72 horas de antecedência) e assembleia para legitimar a ação.

Na tarde desta segunda-feira, também houve audiência de conciliação, no TRT, entre a empresa MobiBrasil, que opera linhas de ônibus em Diadema, Grande São Paulo, e os trabalhadores. Os motoristas e cobradores da companhia fizeram movimento semelhante ao dos paulistanos, na semana passada. O encontro acabou sem acordo, após a empresa rejeitar a proposta apresentada pelo próprio tribunal. Empresa e sindicato terão agora 48 horas para apresentar a defesa antes do caso seguir para julgamento.

Sem reajuste de 2 dígitos, metroviários ameaçam parar

O presidente do Sindicato dos Metroviários, Altino de Melo Prazeres Júnior, afirmou nesta segunda-feira que, diferentemente de anos anteriores, a categoria não aceitará propostas de reajuste salarial de menos de dois dígitos e que os funcionários estão dispostos a decretar greve se a negociação não avançar nesse sentido. Os trabalhadores pedem 35%, mas o Metrô, que é controlado pelo governo do Estado, sinalizou inicialmente com 5,2%, o que não cobriria nem a inflação segundo boa parte dos indicadores econômicos.

Nesta terça-feira, às 18h30, a categoria se reunirá em assembleia para decidir o dia da paralisação. O mais provável é que ela ocorra no dia 3 de junho, mas não está descartada a hipótese de deflagração antes ou depois dessa data, até mesmo na semana seguinte, a da abertura da Copa do Mundo, com um jogo entre as seleções de Brasil e Croácia no dia 12, no Estádio Itaquerão, na zona leste, acessado preferencialmente de metrô e trem.

De acordo com Prazeres Júnior, a paralisação dos motoristas e cobradores de São Paulo na semana passada exerceu influência nos metroviários. A mobilização dos rodoviários ocorreu mesmo após um reajuste salarial da categoria de 10%, quase o dobro do que foi ofertado pelo Metrô a seus empregados. A direção sindical cobra que as tratativas da campanha salarial sejam, pela primeira vez, direto com o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e não com a administração do próprio Metrô, que, de acordo com eles, não tem autonomia suficiente para ampliar as contrapropostas.

"Este ano não vai ser no tribunal (que a situação terá um desfecho)", disse o presidente da entidade. "O governo mesmo só entra para discutir quando a gente está em greve. Já não bastam promessas que não se cumprem", afirmou o secretário intersindical dos metroviários, Sérgio Renato da Silva Magalhães.

O sindicato aventou ainda a disposição da categoria de abrir as catracas no dia da greve, para não prejudicar a população. "Toda vez que a gente fez o desafio da catraca livre em troca da greve, o governo do Estado disse que tem problema de segurança. Mas está cheio de PM no Metrô, então é um problema de vontade política. O governo está realmente preocupado com todo o mundo que vai usar o metrô ou não?", disse Prazeres Júnior. Ele falou ainda sobre a intimação que recebeu na última sexta-feira para depor na 1ª Delegacia Seccional, no centro. A unidade da Polícia Civil, também controlada pelo governo do Estado, investiga a paralisação dos motoristas e cobradores e queria saber se Prazeres Júnior tinha algum vínculo com o ato.

"Não tive envolvimento nenhum, embora apoiasse o movimento dos rodoviários. Tratou-se de uma tentativa de criminalizar os movimentos sociais, mas não vamos nos intimidar." Ainda segundo Magalhães, alguns funcionários já receberam cartas da empresa, intimidando-os a não se vincular ao movimento grevista. O sindicalista também reclamou que a empresa não valoriza a política de carreiras e que é comum jovens empregados saírem em busca de outras oportunidades.

(Com Estadão Conteúdo)