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25/05/2014 09:10 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02

O que você deve saber sobre as eleições na Colômbia neste domingo

Javier Galeano/AP

Depois de uma campanha eleitoral escandalosa, este domingo é dia de eleições presidenciais na Colômbia. Eis o que você precisa saber sobre a votação na quarta maior economia da América Latina, com 32 milhões de colombianos aptos a votar:

Embate eleitoral

Zuluaga x Santos

A disputa está apertada entre o atual presidente, Juan Manuel Santos, e seu opositor, Oscar Ivan Zuluaga, um economista com visões de direita. Cada um está com cerca de 28% das intenções de voto segundo as pesquisas de opinião, o que indica que é muito provável que aconteça um segundo turno em junho.

Vergonha alheia na reta final

Homem caminha diante de cartazes de campanha eleitoral em Bogotá

A corrida eleitoral colombiana foi marcada por uma série de golpes baixos. Tudo começou quando a revista Semana publicou um artigo do colunista Daniel Coronell, que disse ter conversado com um dos chefes do tráfico da Colômbia em uma prisão nos Estados Unidos. A fonte teria dito que, em 2011, ele e outros traficantes teriam dado 12 milhões de dólares a um assessor próximo de Santos, J. J. Rendón, que acabou saindo da campanha presidencial de 2014. Em seguida, a polícia de Bogotá prendeu um hacker que estaria trabalhando para a campanha de Zuluaga com o objetivo de invadir contas de e-mail para sabotar os esforços de paz do governo com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).

O interminável problema das FARC

Membro das Farc

As FARC, inclusive, são um fator importante nas eleições. Santos defende o diálogo com a guerrilha que aterroriza o país há 50 anos. Zuluaga é contra a anistia a guerrilheiros, parte central da tentativa de acordo do presidente.

Avaliação do último governo

O presidente Juan Manuel Santos

O governo de Santos entregou indicadores sociais e econômicos positivos durante seu governo: a economia cresceu 4,3%, o desemprego vem caindo nos últimos dez anos (mas ainda é um dos mais altos da América Latina, com 11,1% em janeiro deste ano) e a inflação foi a mais baixa das últimas décadas.

No entanto, ele é criticado pela forma com que lidou com os grandes protestos de 2013 em apoio a uma greve de mineiros, fazendeiros, agricultores e fazendeiros, dizendo, na época, que “a greve não era real”. Por isso e outros motivos, a taxa de aprovação de Santos é baixa: 68% dos entrevistados em uma pesquisa recente disseram que o país estava no caminho errado e apenas um terço disse que votaria nele de novo. A imagem negativa do governo Santos, no entanto, não garante a vitória de Zuluaga.

Violência sem solução

Colombianos fazem vigília pedindo paz em Bogotá

A Colômbia enfrenta problemas sérios de segurança: é o 10º país mais violento do mundo, com uma taxa de 30,8 assassinatos para cada 100 mil habitantes. A Colômbia já recebeu o maior programa de ajuda militar dos EUA fora do Oriente Médio, mas, segundo a Anistia Internacional, o Plano Colômbia é um fracasso “em todos os aspectos de direitos humanos e não melhorará a situação no país a menos que a política internacional americana mude”. A ajuda diminuiu nos últimos anos devido às denúncias de tortura, desaparecimentos e assassinatos de civis, mas continua sendo o maior programa militar dos EUA na América Latina, com 310 milhões de dólares anuais.

O lado positivo

Visão aérea de Bogotá

Mas nem tudo é desgraça na Colômbia. Aliás, o país é o segundo mais otimista do mundo: o nível de felicidade entre os colombianos é de 86%. O país também está passando por um boom de desenvolvimento nos últimos anos: o PIB colombiano é de 387 bilhões de dólares, e pode ultrapassar os 404 bi da Argentina em 2015, ficando atrás apenas do México e do Brasil na América Latina. O ambiente de negócios também melhorou: créditos fiscais estão estimulando a criação de startups, e Medellín bateu Nova York e foi escolhida como a cidade mais inovadora do mundo pelo Urban Land Institute. Bogotá também não está nada mal, figurando no top 10 das "Cidades Globais Emergentes" do A.T. Kearney. O crescimento teve efeito no turismo: entre 2000 e 2013, o número de visitantes estrangeiros na Colômbia triplicou de 600 mil para 1,8 milhão por ano.