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24/05/2014 17:51 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02

Marcha das Vadias: atos em SP e SC buscam desmontar a cultura do estupro justificada pelo machismo

CRIS FAGA/FOX PRESS PHOTO/ESTADÃO CONTEÚDO

Meu corpo não é seu!

#EuNãoMereçoSerEstuprada

Chega de Fiu Fiu!

Nem santa, nem puta; sou mulher.

Seja bordão, nome de entidade ou hashtag, a força do feminismo é inegável no universo de discursos que permeiam a sua timeline.

O coro contra a opressão de uma mentalidade machista no Brasil vem ganhando novas formas e ecoa cada vez mais alto na sociedade.

Neste sábado (24), centenas de mulheres participaram da Marcha das Vadias, ato feminista que visa à emancipação das mulheres diante de valores, hábitos e comportamentos que ainda mantêm a desigualdade de gêneros.

Os protestos pacíficos ocorreram em São Paulo (SP) e Florianópolis (SC).

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Quem cala não consente

O mote da marcha neste ano é uma reflexão sobre a cultura do estupro, que segundo as manifestantes costuma responsabilizar a mulher pela violência cometida contra ela.

O lema é “Quem cala não consente!” e é uma referência principalmente aos abusos sexuais.

“Muitas vezes o não consentimento não é verbal, não é explícito; muitas vezes nos calamos diante de uma violência”, esclarece a página do evento da Marcha das Vadias no Facebook. “Nos calamos por medo, vergonha, dor, estado alterado de consciência, doença ou enfermidade, dúvida, baixa autoestima, nos calamos por estarmos sob ameaça ou chantagem”, explica.

Não é porque a mulher não reclamou que ela consentiu um ato sexual. Nem uma encoxada no metrô. Ou mesmo uma cantada.

A blogueira do Brasil Post Nana Queiroz, organizadora do movimento #EuNãoMereçoSerEstuprada, explica em seu blog a lógica de poder que ampara o assédio sexual. “Quando um homem se refere ao seu corpo [da mulher] como se ele fosse um objeto de apreciação sexual, na verdade, ele está dizendo que tem usufruto do seu corpo, nem que seja no olhar e comentar.”

A repórter Gabriela Loureiro defende que as mulheres têm que estar na direção para combater e superar a cultura machista. “Muitos homens acreditam que as mulheres pertencem a eles e devem ser defendidas como bens. É para isso que existe o feminismo e é por isso que as mulheres devem ser as protagonistas de suas próprias lutas”, respondeu a um comentário de leitor no artigo Quem mexeu no meu feminismo ou por que não quero saber o que você acha que é um homem de verdade.