COMPORTAMENTO
22/05/2014 12:44 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02

Ariana Russell e uma rara doença de pele transformada em arte (FOTOS)

Estar confortável em própria pele não é uma tarefa fácil para ninguém. Vivendo na região do Brooklyn, Nova York a artista Ariana Page Russell, entretanto, cresceu lutando com uma doença de pele que se estendia para além da própria auto-estima. Russell tem urticária dermatográfica, também conhecido como "escrita de pele."

Traduzindo de forma simples, a condição inflama a pele mesmo com o menor contato físico, como coçar, esfregar ou mesmo ao entrar em contato com a água quente. O mais leve dos toques aciona células que liberam uma substância chamada histamina, causando sintomas físicos semelhantes aos de uma reação alérgica. Qualquer ocorrência pode assumir a forma de vergões vermelhos e inchados, ou arranhões leves machucados sérios.

Em sua condição, Russell descobriu não apenas um manifestação orgânica improvável, mas um meio artístico. A norte-americana desenvolveu um método de produção singular, desenhando padrões deliberados, mensagens e imagens em sua pele para depois transformar em imagens o resultado inflamado. Russel deixa a própria pele contar sua história em termos bastante particulares.

As imagens visceralmente marcantes oferecem um auto-retrato diferente de qualquer outro, em que o artista e a arte verdadeiramente convergem. Retratos de Russell, exibindo uma combinação inspiradora de vulnerabilidade e coragem, poderiam ensinar a maioria de nós uma lição ou duas sobre amar o nosso corpo e nós mesmos. Entramos em contato com Russell para ouvir sua sabedoria em primeira mão.

Você estava interessada em fotografia antes de começar a trabalhar com sua condição de pele ou que os dois vêm juntos?

Eu estive interessada em fotografia por muitos anos, e levei a minha primeira foto oficial para a classe em 1996. Minhas fotografias foram sempre sobre o corpo humano, por isso faz sentido ter começado a fotografar minha pele.

Como exatamente é o seu processo? É doloroso?

Não é nada doloroso. Eu sempre gosto de deixar isso bem claro para que as pessoas saibam que eu não estou infligindo danos em mim mesma. O que acontece é que eu uso uma agulha de tricô ou algum outro objeto pontiagudo para traçar um padrão ou escrever um texto sobre a minha pele. Então, em cerca de cinco minutos os vergões assumem forma e eu faço as fotografias. Os desenhos duram cerca de 30 minutos, então eu preciso trabalhar rapidamente. Quando eu comecei este projeto, em 2003, eu estava usando filme, então foi um pouco mais difícil de fazer as fotografias. Usar espelhos para me ajudar a conseguir ângulos diferentes foi uma alternativa. Agora, com a fotografia digital, eu uso um controle remoto e tripé, e posso ver imediatamente se as fotos contam com um bom aspecto.

Você vê algum significado simbólico em sua condição de pele?

Sim, definitivamente! Eu aprendi a ser confortável com minha pele e suas peculiaridades, sensibilidades e transparência. E não só isso, eu tenho sido inspirado por ela também. Tenho que agradecer por isso!

O que você espera passar com a sua arte?

Eu quero que as pessoas vejam que ter uma pele diferente não faz de você uma aberração, e que é possível encontrar inspiração e crescer a partir de suas falhas. Eu também quero que o mundo inteiro saiba sobre o dermatografismo. Estou espalhando a palavra sobre a doença e formando uma comunidade de pessoas inspiradas pela pele do meu blog, o Skin Tome. O projeto celebra a pele sensível e reconhece que ter esta característica única ou estranha é legal, inspirador, e algo para se orgulhar. Há também dicas de como tratar a condição ou mesmo outras doenças de pele.

Eu também faço arte que não é apenas relacionada com minha condição. Ultimamente venho desenvolvendo novos desenhos de papel de parede, colagens tendo a "pele escultura" como referência. É uma questão de conscientização e valorização do nosso maior órgão, e valorização da nossa fisicalidade como seres humanos.

Como você se sente sobre a atenção da mídia que você recebeu? Você já sentiu o seu trabalho analisado de forma irresponsável ou insensível?

Em geral, a resposta sobre o meu trabalho é muito positiva, e eu sou grata por isso. Recentemente houve um grande artigo no The Atlantic escrito pelo Dr. James Hamblin que eu acho que é uma das melhores coisas que eu já li sobre dermatografia e meu trabalho. Ele é muito direto e claro, fazendo com que a doença não seja encarada como algo bizarro. Às vezes, a mídia trata minha história de forma sensacionalista, mas não com muita frequência. Existe uma cobertura estranha do meu trabalho, no Reino Unido principalmente.

Veja as imagens de Russel logo abaixo, e contes suas impressões para a gente nos comentários.