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19/05/2014 17:06 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02

Energia solar barata favorece aumento da energia renovável global

Bloomberg via Getty Images
Solar panels stand at a solar power plant operated by Ingeneieria y Electricidad Rodriguez SL in Villanueva de los Infantes, Spain, on Monday, March, 10, 2014. Iberdrola SA estimates reduced support by the Spanish government will cost renewable power generators, such as itself and Acciona, 3.96 billion euros ($5.41 billion), with wind and biomass the most affected. Photographer: Angel Navarrete/Bloomberg via Getty Images

A parcela da produção de eletricidade global gerada por energia renovável está aumentando, principalmente porque os sistemas fotovoltaicos solares estão mais baratos, segundo um relatório divulgado em abril pelo Programa do Meio Ambiente da ONU e pela Bloomberg New Energy Finance.

As energias eólica (vento), solar e outras renováveis, excluindo a hidrelétrica, formaram 8,5% da geração global de energia elétrica no ano passado, contra 7,8% em 2012, segundo o relatório.

Isto ocorre pouco depois de a Bloomberg e a Pew Charitable Trusts terem emitido um relatório dizendo que os investimentos em renováveis em todo o mundo diminuíram desde seu pico em 2011, com os EUA muito atrás da China em investimentos gerais em energia eólica, solar e outras renováveis.

Os relatórios aparecem depois de o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC na sigla em inglês) ter divulgado a segunda parte de seu quinto relatório de avaliação, declarando com certeza que os seres humanos terão de se adaptar a um mundo afetado pela mudança climática causada pelas emissões de gases do efeito estufa, os quais são gerados pela queima de combustível fóssil pelas pessoas. As fontes renováveis ajudam a reduzir as emissões de dióxido de carbono ligadas à geração de energia, que modificam o clima.

O relatório "Tendências globais em investimentos em energia renovável 2014", lançado durante a "Cúpula do Futuro da Energia" da Bloomberg em Nova York, diz que as energias renováveis, não incluindo a hidrelétrica, representaram 43,6% do total global de nova capacidade de geração de eletricidade no ano passado, evitando que emissões de dióxido de carbono estimadas em 1,2 gigaton fossem lançadas na atmosfera.

O relatório mostra que houve uma queda de 14% nos investimentos globais em renováveis, em parte pelo mesmo motivo que provoca a maior participação de mercado das renováveis -- o custo dos painéis solares está baixando.

A capacidade geradora de energia solar em todo o mundo aumentou 26% em 2013 em relação ao ano anterior, de 31 gigawatts em 2012 para 39 gigawatts em 2013, apesar de o investimento total em energia solar ter caído 23%, de US$ 135,6 bilhões para cerca de US$ 104 bilhões, segundo o relatório.

Outros motivos para a queda nos investimentos incluem a incerteza na política de renováveis em muitos países e um maior investimento em combustíveis fósseis que alteram o clima.

O sucesso do petróleo e gás de xisto atingiu duramente os investimentos em renováveis nos EUA, diz o relatório.

Apesar de os EUA terem sido o maior investidor em renováveis entre as economias desenvolvidas no ano passado, com US$ 33,9 bilhões, a quantia caiu 10% em relação a 2012 porque os baixos preços do gás natural ajudaram a provocar a alta do gás de xisto, deprimindo o desenvolvimento de energia limpa, segundo o relatório.

O sucesso do gás de xisto também contribui para a incerteza geral sobre o compromisso político dos EUA com as renováveis, afirma o relatório.

Mas a imagem global das renováveis é mais positiva.

"Não estamos vendo nada de qualquer maneira, algo que possamos caracterizar como um colapso nos investimentos em energia renovável", disse em uma entrevista coletiva Michael Liebreich, presidente do conselho assessor da Bloomberg New Energy Finance.

Segundo ele, usinas de energia elétrica renováveis não subsidiadas estão sendo construídas em todo o mundo pois se tornaram mais capazes de competir com a geração de energia por combustíveis fósseis.

As ações de energia limpa sofreram uma queda de 78% em quatro anos e meio, atingindo o fundo em julho de 2012 e seguida por um ganho de 54% em 2013 enquanto as fabricantes de energia solar e eólica recuperaram a rentabilidade.

"Parece que a energia renovável está na verdade fazendo sua parte", disse Liebreich.

O principal autor do relatório, Angus McCrone, editor-chefe da Bloomberg New Energy Finance, disse que o documento não está "disfarçando" a má notícia do declínio dos investimentos em renováveis em todo o mundo.

"O que estamos dizendo agora é que há um pedaço de céu azul no horizonte, apesar de os números gerais de investimento terem caído", disse McCrone, acrescentando que as tendências na competitividade das renováveis, particularmente eólica e solar, são notáveis.

Em cada vez mais lugares ao redor do mundo a energia renovável está sendo instalada sem qualquer subsídio, ou as renováveis são adotadas por serem mais baratas que a tecnologia de combustível fóssil disponível, disse ele.

Principais fontes de energia renovável nos EUA -- 2011

(dados mais recentes; cortesia da Agência de Informação de Energia dos EUA)

Energia solar -- 2%

Os painéis de energia solar e células fotovoltaicas formam a menor porcentagem da produção de energia renovável nos EUA, mas seu futuro parece promissor. A Berkshire Hathaway da Warren Buffett investiu US$ 2,5 bilhões na empresa de energia solar da Califórnia SunPower no início deste ano. Também, ao contrário de outras fontes de renováveis, a energia pode ser gerada por instalações solares de pequena escala (como no telhado de uma casa ou empresa), e os custos menores tornaram a energia solar muito mais acessível.

Geotérmica -- 2%

A energia geotérmica capta o calor que ocorre naturalmente na terra para transformá-lo em energia. A fonte renovável é geograficamente dependente, mas a metade ocidental dos EUA tem muitos locais promissores para usinas de energia, como os gêiseres da Califórnia, a maior usina de energia geotérmica do mundo. Os EUA são o maior produtor de energia geotérmica do planeta, mas o crescimento não acompanhou o desenvolvimento da energia eólica ou solar nos últimos anos.

Lixo -- 5%

Acredite ou não, mas o lixo queimado representa 5% de toda a energia renovável gerada nos EUA a cada ano. Mais de 29 milhões de toneladas de lixo sólido municipal foram queimadas em 2010 para gerar vapor para turbinas geradoras de energia. Há mais de 75 usinas de transformação de lixo no país. Regulamentos sobre as emissões foram implantados nas usinas de incineração de lixo desde os anos 1960, mas a Agência de Proteção Ambiental (EPA) advertiu em um relatório de 2006 que as toxinas liberadas no processo poderiam representar um sério risco ambiental se a lei não for aplicada estritamente.

Eólica -- 13%

A quantidade de energia eólica (gerada pelo vento) cresceu em cada um dos últimos três anos em todos os EUA e representou o maior crescimento de capacidade de qualquer fonte energética no país no ano passado. As turbinas eólicas hoje fornecem mais de 50.000 megawatts/ano, o suficiente para abastecer 13 milhões de residências, segundo a agência Reuters. Créditos de impostos federais, que deverão expirar no final de 2012, tornaram as fazendas eólicas uma forma atraente de energia renovável. O Congresso aprovou uma extensão dos créditos até o final de 2013. Depois da produção, as turbinas eólicas são zero líquido, o que significa que não exigem energia nem produzem emissões. A única coisa problemática gerada em alguns casos, além da energia limpa, foi muito ruído.

Biocombustível -- 21%

Os biocombustíveis, como etanol, são criados a partir de material orgânico como milho ou soja. A gasolina nos EUA contém 9% desse recurso por mandato federal sob o Programa Padrão de Energia Renovável, e mais de 40% da safra de milho do ano passado foram transformados em combustível. O recurso é ligeiramente mais instável que outras renováveis, porque depende da produtividade das fazendas -- a seca e outros problemas ambientais podem reduzir significativamente a produção e elevar os preços. Em média, o etanol tem 20% menos emissões que a gasolina tradicional, mas alguns tipos, como o etanol de celulose, cortam as emissões de gases do efeito estufa em mais de 85%, segundo o Departamento de Energia dos EUA

Madeira -- 22%

A madeira representa quase um quarto de toda a energia renovável criada nos EUA. O aumento dos custos de energia levaram a um aumento na queima de lenha na última década, e quase 20% das residências da Nova Inglaterra usam lenha para aquecimento, segundo uma reportagem da National Geographic. Embora possa ser uma alternativa mais barata, os fogões e lareiras a lenha liberam mais emissões de partículas finas que outros métodos de aquecimento doméstico, segundo a EPA. Queimar boa madeira em uma estufa eficiente reduz as emissões tóxicas e a perda de energia. E sempre tenha à mão detectores de fumaça e de monóxido de carbono.