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17/05/2014 12:09 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02

Barbárie no MS: pedreiro é confundido com estuprador e morre após ser espancado na rua

Thinkstock

A intolerância popular segue fazendo vítimas pelo Brasil. O pedreiro Hugo Neves Ferreira, de 45 anos, foi a mais recente delas em Campo Grande, em Mato Grosso do Sul. Confundido com um estuprador, ele foi espancado por populares e, apesar de ter sido socorrido, morreu na última quinta-feira (15). É um caso parecido à tragédia registrada no início do mês no Guarujá, no litoral paulista, onde Fabiane Maria de Jesus, de 33 anos, foi linchada sem nada dever.

Segundo o inquérito policial, o pedreiro tinha brigado com a mulher após ingerir bebidas alcóolicas e decidiu sair de casa, ainda na noite de quarta-feira (14). Por morar nos fundos da casa do pai, Hugo decidiu pular o muro dos fundos, no qual havia uma grade. O short que ele usava e a sua roupa íntima enroscaram nos ferros da grade, mas ao se desvencilhar, acabou ficando nu e saiu correndo pelas ruas do bairro Aero Rancho, periferia da capital sul-mato-grossense.

O que aconteceu a seguir foi pura violência. Pessoas que viram o homem nu, na rua, o teriam confundido com um estuprador, conforme informaram familiares à polícia. Hugo foi agredido e recebeu socos e pontapés em todo corpo, tendo traumas na cabeça e no tórax. O pedreiro ainda conseguiu voltar para casa, onde foi socorrido pelo pai, que ao ver o estado do filho, chamou o Corpo de Bombeiros. Mesmo sendo atendido e medicado, Hugo não resistiu aos ferimentos e morreu horas depois de ser espancado.

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O pai de Hugo, Bruno de Oliveira Ferreira, de 66 anos, disse ao site Campo Grande News que tentou intervir na briga entre o pedreiro e a mulher, sem sucesso. Ele ainda negou que o filho fosse um estuprador. “Meu filho morava nos fundos da minha casa, era casado há 14 anos e jamais fez esse tipo de coisa. O único problema que ele possuía era com o álcool. No dia dos fatos, ele tinha brigado com a esposa e pulou do muro para sair de casa, já que ela trancou o portão e não o deixou ir embora”, explicou.

O caso foi registrado na 5ª Delegacia de Polícia de Campo Grande como homicídio doloso – quando há intenção de matar. Os policiais estão em busca de possíveis suspeitos de participação no crime. De acordo com o pai da vítima, pelo menos “dois homens muito violentos” estão envolvidos. O linchamento na rua só não foi completo por conta da ajuda que Hugo recebeu de um amigo.

“Foi muita maldade o que fizeram com ele, nós queremos Justiça. Ele estava voltando a frequentar a igreja, embora a bebida o atrapalhasse um pouco. Mas jamais cometeu o crime que está sendo acusado. E o fato dele estar nu também não é motivo para ele ser morto desta maneira”, completou o pai do pedreiro.

De acordo com o jornal Correio do Estado, Hugo deixa um filho de 18 anos, que morava com a avó, e duas filhas, de 8 e 12 anos, que moravam com ele e a atual mulher.