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16/05/2014 15:28 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02

Deputado Luiz Argôlo ajudou doleiro Alberto Yousseff a chegar à Petrobras, diz Polícia Federal

Reprodução/Facebook

A Polícia Federal suspeita que o deputado Luiz Argôlo (SDD-BA) "agendou uma reunião" entre o doleiro Alberto Yousseff e o diretor de Abastecimento da Petrobras, José Carlos Cosenza. Durante a Operação Lava Jato - investigação sobre esquema de lavagem de dinheiro que pode ter alcançado R$ 10 bilhões -, a PF interceptou no dia 18 de setembro de 2013 troca de mensagens pelo aparelho BlackBerry entre Argôlo e o doleiro tratando de um encontro com o diretor da estatal.

Consenza sucedeu ao engenheiro Paulo Roberto Costa, em 2012. Costa foi preso pela Lava Jato no dia 20 de março de 2014. Ele e Yousseff são apontados como os líderes de uma organização criminosa que teria se infiltrado na Petrobras para desvio de recursos e corrupção.

A PF investiga outros funcionários da estatal. A longa sequência de contatos entre Argôlo e o doleiro faz parte de Relatório de Monitoramento Telemático enviado ao Supremo Tribunal Federal, instância que tem competência para investigar parlamentares. Entre 14 de setembro de 2013 e 17 de março de 2014 o deputado e o doleiro trocaram 1.411 mensagens. Yousseff trata o deputado por "LA" e este o chama de "Primo".

Eles citam Cosenza. Às 11h36 do dia 18 de setembro Yousseff diz que "já liga" para Argôlo porque "está terminando uma reunião na prefeitura de Cubatão (SP)". O deputado comenta que está com o substituto de "PR" - para os investigadores uma "provável referência à pessoa que substituiu Paulo Roberto Costa na Petrobras, José Carlos Cosenza".

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O deputado pergunta ao doleiro se ele "tem algum assunto" para tratar com o diretor da Petrobras. "Temos vários assuntos lá", responde Youssef, "possivelmente referindo-se à Petrobras e às diversas operações de desvio de recursos que envolveriam as suas empresas de fachada utilizadas para distribuir o dinheiro ilegal".

A PF não imputa atos ilícitos a Cosenza, mas seu nome consta do relatório. "Em seguida, aproveitando-se da proximidade de ‘LA’ possivelmente com o atual diretor de Abastecimento da Petrobras, José Carlos Cosenza, solicita que ‘LA’ passe a seguinte mensagem: ‘Diga a ele que você precisa fazer uma visita a ele para que te ajude com um amigo’."

"Existem indícios de que ‘LA’ agendou uma reunião entre Yousseff e José Carlos Cosenza, possivelmente para tratar de algum assunto relacionado às operações de Yousseff junto à empresa", afirma a PF.

O relatório mostra Argôlo pressionando o doleiro para arrumar dinheiro, segundo a PF. Revela contatos com empreiteiras. O diretor financeiro de uma delas, sediada em Salvador, teria repassado R$ 420 mil para a organização.

Conselhos

Youssef também dava conselhos políticos a Argôlo. No dia 9 de outubro, o deputado perguntou ao doleiro se deveria aceitar a vice-liderança do Solidariedade ou se aceitava participação na Comissão de Orçamento da Câmara. "Pega a vice-liderança, você vai estar o tempo todo com o governo.

A Comissão de Orçamento é também muito boa, mas deve ser escolhida em outro momento, pois agora o importante é estar perto do governo", respondeu o doleiro. Argôlo não foi localizado nesta quinta-feira. A Petrobras, em nota, declarou. "O diretor José Carlos Cosenza não conhece Alberto Yousseff. Ele não manteve contato com o deputado Luiz Argôlo".

Além da investigação da PF, Argôlo está na mira dos colegas do Conselho de Ética da Câmara, que abriu processo por quebra de decoro nesta semana.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.