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16/05/2014 14:08 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02

Copa 2014: para Dilma, Blatter e Valcke são 'um peso' em suas costas

ASSOCIATED PRESS
FIFA President Joseph Blatter, right, and Brazilian President Dilma Rousseff address the spectators during the draw ceremony for the 2014 soccer World Cup in Costa do Sauipe near Salvador, Brazil, Friday, Dec. 6, 2013. (AP Photo/Andre Penner)

Nesta quinta-feira (15), o presidente da Fifa Joseph Blatter voltou a disparar contra a organização da Copa do Mundo do Brasil. Dando sequência a sua política de “morde e assopra”, quando minimiza os percalços enfrentados na organização do Mundial em entrevistas realizadas em solo brasileiro, ao passo que, em entrevistas realizadas fora do país, critica, de forma pesada, o Comitê Organizador Local da Copa (COL), Blatter voltou a “morder”.

Em entrevista à rede pública suíça, a RTS, disse estar ciente da situação atual da sociedade brasileira, onde protestos contra os altos gastos com a Copa acabam por camuflar a euforia de outra parcela da população com a proximidade do início da competição.

“Não podemos contentar a todos. Isso não existe. Os brasileiros estão um pouco insatisfeitos. Muita coisa foi prometida a eles”, afirmou, completando que “quando Lula estava no poder, ele disse que queria uma melhoria no país. Mas, para isso, precisa-se da vontade do povo para trabalhar". O presidente, ainda afirmou que “a sociedade que Lula queria criar no Brasil hoje se separou um pouco".

Apesar do tom crítico de sua declaração, ressaltou que “a partir do momento que o primeiro chute será dado, estou certo de que o Brasil vai ter um ambiente de futebol, samba, música e ritmo”.

A presidente Dilma, por outro lado, em conversa com jornalistas esportivos realizada nesta quinta-feira, afirmou que os principais dirigentes da Fifa – Blatter e Valcke – são “um peso”.

Questionada se as obras de ampliação da rede de metrô nas principais cidades do Brasil seriam feitas visando a Copa, disparou: “Tirem o Blatter e o Valcke das minhas costas! Não tem nada a ver com Copa, são obras para as cidades”.

Diante da resposta, um dos jornalistas presentes a indagou: “Eles são um peso, presidente?” “Ô, se são”, respondeu Dilma, certamente aliviada com a proximidade do fim da relação com os “cartolas” da Fifa.

Lula: metrô até dentro do estádio é 'babaquice'

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva dedicou-se, em evento com blogueiros nesta sexta-feira, 16, em São Paulo, a defender a realização da Copa do Mundo no Brasil. Ele disse ter "muito orgulho" de ter trazido o mundial de futebol e a Olimpíada para o País. "É uma oportunidade extraordinária de o País se mostrar ao mundo como é", disse o ex-presidente, segundo Estadão Conteúdo.

Lula chamou de "babaquice" a preocupação em dar aos estrangeiros condições de primeiro mundo, como "chegar de metrô dentro do estádio" e reforçou que o importante, em sua avaliação, é mostrar a cultura brasileira.

Breve histórico do jogo de "morde e assopra" dos dirigentes da Fifa

Desde a escolha do Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014, em outubro de 2007, o diálogo entre o governo federal e a Fifa oscilou entre intenso, nulo e fraco. No início, com o presidente Lula, declaradamente amante de futebol, no poder, o contato entre as duas partes foi frequente. Com Dilma Rousseff, no entanto, o diálogo esfriou.

As farpas entre as duas partes foram frequentes nestes anos de preparação à Copa do Mundo. O presidente da Fifa, Joseph Blatter, e o secretário geral da entidade, Jérôme Valcke, se notabilizaram pelas declarações ora positivas, otimistas e ufanistas, ora negativas, pessimistas e catastróficas.

Em um jogo de “morde e assopra”, costumam minimizar os percalços enfrentados na organização do Mundial em entrevistas realizadas em solo brasileiro, ao passo que em entrevistas realizadas fora do país criticam, de forma pesada, o Comitê Organizador Local da Copa (COL).

A relação de Dilma com os “chefões” da Fifa, de fato, é fria, ainda que em alguns momentos Blatter tenha saído em defesa da presidente do Brasil: em 2013, na partida de abertura da Copa das Confederações, o número 1 da entidade que rege o futebol mundial pediu “respeito e fair play” aos torcedores presentes no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, que os vaiavam ostensivamente.

No início do ano, a Dilma realizou sua primeira visita à sede da entidade, em Zurique. Em abril, em uma breve conversa telefônica com Blatter, confirmou sua participação na cerimônia de abertura do 64º Congresso da Fifa, que será realizado em São Paulo no dia 10 de junho. Na ocasião, em um momento do “assopra” do “morde e assopra” da Fifa, o suíço afirmou ter “certeza de que a Copa do Mundo será o Mundial mais exitoso de todos os tempos”.

Com Estadão Conteúdo