COMPORTAMENTO
16/05/2014 10:17 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02

As diferenças entre mulheres e homens na hora de dormir – e por que isso importa

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As mulheres demoram mais para pegar no sono. Elas relatam que sentem mais sonolência. Elas têm o risco maior de ter insônia. E elas até passam mais tempo dormindo profundamente, se comparadas com os homens.

Mas o entendimento do por quê existem diferenças na forma de cada sexo dormir – e como essas diferenças podem afetar o tratamento de distúrbios do sono – ainda deixam a desejar, de acordo com um novo relatório da SWHR- Society for Women's Health Research (Sociedade de Pesquisa da Saúde da Mulher ). Grande parte da literatura médica sobre os distúrbios do sono está voltada para a apneia do sono, tipicamente considerada uma doença masculina, afirmou Monica Mallampalli, Ph.D., MSc, diretora de programas científicos da SWHR em entrevista ao The Huffington Post: No que diz respeito às mulheres e sono - “não há praticamente nenhuma pesquisa sobre isso”.

Com esperança de impulsionar um pouco esse assunto, Mallampalli, junto com o vice-presidente de questões científicas da SWHR, Christine Carter, Ph.D., MPH, promoveram uma mesa redonda com alguns dos maiores nomes da pesquisa de distúrbios de sono em mulheres, incluindo a Dra. Susan Redline, M.D., MPH, e o Dr. Maurice M. Ohayon, M.D., DSc, Ph.D, da Universidade de Stanford. Mallampalli e Carter reuniram as conclusões em um documento apresentado na reunião anual da Organização para o Estudo das Diferenças de Gênero, que aconteceu em Minneapolis esse mês, e encaminharam um relatório completo à publicação de saúde feminina, Journal for Women's Health.

Como qualquer mulher que já sofreu com uma noite de insônia no período pré-menstrual ou durante a menopausa provavelmente já suspeitou, as mudanças hormonais parecem influenciar bastante alguns dos principais distúrbios de sono das mulheres, diz Mallampalli. "Mulheres têm probabilidade maior de sofrerem de insônia no período do começo da menstruação e também durante a menopausa”, ela diz. A síndrome das pernas inquietas é mais comum em mulheres grávidas do que em homens ou em mulheres que nunca tiveram filhos, ela diz, mas o assunto é “algo bastante comentado atualmente no campo dos distúrbios do sono”, principalmente na pesquisa com animais.

"A outra coisa importante que surgiu várias vezes em nossa reunião foi como os dados do sono não correspondem ao número de reclamações”, diz Mallampalli. Mulheres estão trazendo as suas reclamações sobre o sono aos médicos, mas os exames mais comuns não estão apontando quais os problemas. Isso não acontece com homens, ela diz, então “talvez as ferramentas que usamos não sejam as corretas” para tratar as mulheres. “É possível que, na verdade, nem estejamos conseguindo de fato diagnosticar as mulheres, pois as perguntas que fazemos provavelmente nem são relevantes”, ela afirma sobre os exames e ferramentas desenvolvidas para homens.

Vamos pensar na apneia do sono, por exemplo. Homens com a condição muitas vezes relatam roncos e engasgos ou que acordam com falta de ar. Mulheres, por outro lado, geralmente relatam cansaço, depressão e sono não reparador, ela diz.

Estudos mais profundos poderiam ser desenvolvidos, talvez com exames específicos para cada gênero ou novas tecnologias, diz Carter. "Mesmo questionários e ferramentas clínicas, que profissionais de saúde poderiam usar, simplesmente não existem”, ela afirma. “Profissionais de saúde não estão fazendo perguntas a pacientes que sejam remotamente sistemáticas para que os pesquisadores possam usá-las para entender melhor as diferenças entre os gêneros. Os profissionais raramente têm consciência dessas diferenças, então precisamos fazer um bom trabalho de divulgação”.