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15/05/2014 12:17 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02

Crise na Turquia: Com 282 mortes confirmadas em tragédia, turcos instauram greve geral no país

AP

Com 282 mortes já confirmadas na tragédia que se abateu sobre a cidade de Soma, no oeste da Turquia, quando uma explosão em uma mina fez com que uma nova crise se instaurasse no país, o principal sindicato da Turquia convocou, nesta quinta-feira (15), uma greve geral como forma de protesto pelo acidente, considerado pelos manifestantes turcos como fruto de uma negligência do governo federal.

Segundo a Confederação de Sindicatos de Trabalhadores Públicos da Turquia (KESK), “os que continuam com as privatizações, colocando em perigo a vida dos trabalhadores para reduzir os custos, são os culpados do massacre Soma”. Para o sindicato, que representa 240 mil trabalhadores, “os responsáveis devem prestar contas”.

Para o governo turco, a explosão de terça-feira teria sido provocada por uma falha elétrica. A declaração do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, de que “acidentes acontecem”, revoltou ainda mais a população.

Em um país imerso em uma situação política tensa, com protestos contra Erdogan ocorrendo de forma constante há quase um ano, os confrontos entre manifestantes e forças de segurança se intensificaram nesta quarta-feira (14) por conta do grave acidente ocorrido em Soma: em Izmir, oeste do país, policiais usaram gás lacrimogêneo para dispersar 20 mil manifestantes que afirmavam que a explosão na mina foi consequência de uma negligência industrial do governo.

Em Ancara, capital do país, além de gás lacrimogênio, jatos d’água foram usados para dispersar manifestantes concentradas na Praça Kizilay. Confrontos com a polícia também foram registrados em Istambul, maior cidade da Turquia.

A atual crise ampliou a pressão popular sobre Erdogan, que enfrenta enormes protestos desde maio de 2013 e tem que lidar com um escândalo de corrupção que envolveu seus familiares e aliados nos últimos meses.

Cerca de 90 trabalhadores ainda estariam presos na mina, segundo autoridades, embora a chance de encontrar sobreviventes seja mínima. Segundo o ministro da Energia, Taner Yildiz, os serviços de resgate ainda não conseguiram acessar duas galerias afetadas.