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13/05/2014 15:38 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02

Senado: CDH pedirá proteção à viúva e caseiro de Paulo Malhães, ex-torturador da ditadura militar

José Pedro Monteiro/Agência O Dia/Estadão Conteúdo

A Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado vai pedir para que Cristina Malhães, viúva do coronel da reserva Paulo Malhães, e o caseiro Rogério Pires, acusado de participação no assalto que culminou com a morte do militar, sejam incorporados ao Programa Federal de Assistência a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas. A decisão foi anunciada pela presidente da Comissão, senadora Ana Rita (PT-ES), que na manhã desta terça-feira (13) leu o relatório parcial da diligência feita por senadores ao Rio de Janeiro para verificar as investigações do caso. A Comissão também vai solicitar que dois membros do Ministério Público acompanhem a apuração policial.

Torturador confesso de presos políticos durante a ditadura militar brasileira, Malhães morreu no dia 24 de abril durante assalto no sítio onde morava, na zona rural de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Laudo preliminar aponta que o coronel da reserva morreu de enfarte. Os membros da Comissão acreditam que a Polícia Civil do Rio de Janeiro está demasiadamente focada na hipótese de latrocínio. "Não dá para afirmar com certeza nenhuma hipótese", enfatizou Ana Rita.

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No relatório parcial da Comissão de Direitos Humanos, os senadores lembram que computadores e pastas foram levados no assalto e que a Polícia caminha para uma conclusão do inquérito sem ouvir Anderson e Rogério Pires, irmãos do caseiro que estão foragidos. "Acho muito precipitado a Polícia já manifestar preferência por uma linha de investigação sem ouvir os dois foragidos", comentou Ana Rita.

A presidente da Comissão informou que os senadores pedirão acesso à cópia do inquérito, uma vez que na diligência isso foi negado. Segundo a senadora petista, a Polícia alegou que as investigações ocorriam sob segredo de Justiça. Durante a diligência no Rio de Janeiro, que foi acompanhada pelo presidente da Comissão da Verdade do Estado, Wadih Damus, os senadores observaram que o caseiro prestou dois depoimentos desacompanhado de um advogado. Só na semana passada foi nomeada uma defensora pública para o acusado.

Para a senadora, o caseiro passou a impressão de ser uma pessoa simples, frágil e insegura, por isso a necessidade de incluí-lo no programa de proteção a testemunha, juntamente com Cristina. "A viúva já está com medo e o caseiro nos disse que está ficando com medo. Os dois precisam ser protegidos pelo Estado", defendeu a senadora.