COMPORTAMENTO
13/05/2014 15:54 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02

Afinal, o que é o vitiligo?

“Isso dói?”

“Não.”

“É contagioso?”

“De jeito nenhum.”

“Eu posso continuar vivendo com vitiligo e ter uma vida de sucesso?”

“Claro que sim.”

É assim que a americana Cheri Lindsay descreve a condição da sua pele e faz coro ao discurso da modelo Winnie Harlow, que tomou conta do noticiário nas últimas semanas por ter se tornado uma das candidatas mais populares do programa “America’s Next Top Model” e a primeira modelo com vitiligo a conquistar o mundo da moda.

“Ninguém é 100% perfeito”, diz Cheri no vídeo encomendado pela marca de cosméticos Dermablend. E ambas são verdadeiras provas de autoaceitação. Mas não pense que foi fácil. Enquanto Winnie enfrentou muito preconceito, Cheri passou por um processo chocante de entender como o vitiligo havia se espalhado tão rápido pela sua pele e como lidaria com ele.

Hoje, elas são bem-resolvidas e importantes porta-vozes do assunto, mas ainda enfrentam muitos olhares tortos nas ruas, porque pouco se fala sobre esse distúrbio cutâneo, que nada mais é do que uma despigmentação da pele em certas áreas do corpo. Aproveitamos então para reunir a seguir algumas informações importantes sobre o vitiligo, que você precisa saber:

- O vitiligo atinge cerca de 1% da população mundial.

- Ele é provocado pela diminuição ou falta de melanina (partícula que dá cor à superfície). O resultado são manchas brancas de diferentes tamanhos.

- “As manchas podem manifestar-se em qualquer parte do órgão, porém é mais comum no rosto, nas extremidades das mãos e dos pés, nos cotovelos, em torno da boca e dos olhos, na região genital e na perianal. Ocorre igualmente nas áreas em que existem pelos e cabelos, que também podem ficar brancos”, explica o dermatologista Agnaldo Augusto Mirandez à revista CARAS.

- "Não há como prever a evolução do vitiligo, que pode se manter estável durante muito tempo, voltar a se desenvolver ou regredir espontaneamente", diz a dermatologista Ana Lúcia Recio, em entrevista à revista MÁXIMA.

- Pode surgir em qualquer período da vida, mas os primeiros sinais costumam aparecer com mais frequência por volta dos 20 e 30 anos de idade.

- Esta doença autoimune é considerada um dos grandes enigmas da medicina. Os cientistas sabem o que provoca esse fenômeno, mas não exatamente o que desencadeia o ataque dos anticorpos contra os melanócitos (células que fabricam a melanina, substância responsável pela pigmentação da pele). “Uma combinação de fatores genéticos e ambientais parece estar por trás da maior parte dos casos de vitiligo. Ou seja: aparentemente, a maioria dos pacientes apresenta predisposição para o desenvolvimento da doença quando exposta a algum tipo de "gatilho" - queimaduras de sol muito intensas, estresse violento ou traumas emocionais provocados por um acidente grave ou pela morte de um familiar, por exemplo”, reportou a revista Superinteressante.

- Nos casos mais severos, o paciente pode apresentar despigmentação de até 85% da superfície cutânea. Entretanto, é impossível prever, no início da doença, qual será a área total afetada pelo vitiligo.

- Hoje, já existem alguns tratamentos disponíveis, só que eles costumam ser demorados e não garantem melhora. “Corticoides tópicos ou sistêmicos em doses pequenas e controladas; imunomoduladores, principalmente para aplicar nas lesões da face e dos genitais; fototerapia ou fotoquimioterapia tópica (com exposição à radiação UVA ou UVB); e técnicas cirúrgicas, como o micropunch, espécie de enxerto de tecido” são algumas das opções, de acordo com Ana Lúcia.