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12/05/2014 14:03 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02

FGV: remédios pesarão menos para a baixa renda em maio

Bloomberg via Getty Images
AstraZeneca Paludrine 100mg tablets, produced by AstraZeneca Plc, sit on a blister pack in this arranged photograph taken in London, U.K., on Tuesday, April 29, 2014. Pfizer Inc., the biggest U.S. drugmaker, plans to renew discussions to acquire AstraZeneca, said people familiar with the matter. Photographer: Simon Dawson/Bloomberg via Getty Images

Os reajustes em três preços administrados com grande peso no orçamento das famílias de baixa renda impulsionaram a inflação em abril. Medicamentos, tarifa de energia elétrica e tarifa de ônibus urbano fizeram com que o Índice de Preços ao Consumidor - Classe 1 (IPC-C1) chegasse a 1,05% no mês passado, contra 0,85% em março. Apesar disso, é esperado um arrefecimento no IPC-C1 em maio. O índice capta a inflação das famílias com renda entre 1 e 2,5 salários mínimos.

"Ao longo deste mês, deve haver um efeito menor de medicamentos. A energia também deve pesar menos", ressaltou o economista André Braz, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV). No caso das tarifas de ônibus, é possível que o aumento em Belo Horizonte entre no radar do indicador e pese na inflação.

"Os medicamentos respondem por 5% do índice, enquanto tarifas de ônibus urbano são 7%, e tarifa de energia elétrica pesa 3,5%", disse Braz, numa aproximação dos porcentuais. "O índice acumulou alta de três administrativos potentes", justificou.

Os medicamentos subiram 2,45% em abril, refletindo os reajustes concedidos pelo governo. Já as tarifas de energia elétrica avançaram 2,41% no mês passado, reflexo dos aumentos em Belo Horizonte, Salvador e Recife. No caso da tarifa de ônibus urbano, a alta foi de 0,80%, puxada pelo reajuste em Porto Alegre.

"Esses gastos oneram mais o orçamento das famílias de baixa renda", explicou Braz. No caso da energia elétrica, ele explica que esse preço administrado será uma pressão inflacionária constante ao longo deste e do próximo ano. "Não há como fugir. Os aumentos são permanentes, dificilmente revisados para baixo", disse.

Alimentos

Apesar de não terem sido um destaque de desaceleração, já que o grupo Alimentação passou de 1,85% para 1,69%, o viés para os alimentos é de baixa. Apesar de pães, óleos, carnes e leite ainda terem ganhado força em abril, Braz espera que esses alimentos desacelerem ao longo de maio, a exemplo do que já ocorreu com as hortaliças e legumes. "Vai ser o caminho inverso, vai desacelerar. Pode continuar com taxa positiva, mas sem ganhar força", afirmou o economista. A sinalização é importante, já que o grupo compromete 30% do orçamento das famílias de baixa renda.

Em 12 meses, a inflação medida pelo IPC-C1 acumula alta de 5,57%, abaixo da taxa média de 6,36% apurada entre todas as famílias com renda entre 1 e 33 salários mínimos. A tendência, no entanto, é de que a diferença entre as duas fique cada vez menor, e ambas se posicionem ao redor de 6% anualizada. "Nesta época do ano passado, as taxas foram muito baixas", explicou Braz.