NOTÍCIAS
10/05/2014 11:33 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02

Primeira-dama dos EUA usa programa semanal de Obama para criticar sequestro na Nigéria: "Nessas meninas, vemos nossas filhas" (VÍDEO)

A primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle Obama, afirmou neste sábado (10) que ela e o presidente Barack Obama veem suas filhas quando pensam nas quase 300 meninas sequestradas de uma escola pelo grupo islâmico terrorista Boko Haram, na Nigéria, em 15 de abril.

“Nessas meninas, Barack e eu vemos nossas filhas”, disse Michelle, referindo-se a Malia, 15, e Sasha, 12. “Vemos suas esperanças, seus sonhos e tentamos imaginar a angústia que seus pais estão sentindo agora.”

Na véspera do dia das mães, a primeira-dama pela primeira vez fez uma participação solo no programa semanal de rádio e internet da Presidência dos EUA e disse que o sequestro não foi um caso isolado, mas “uma história que vemos todos os dias quando meninas ao redor do mundo arriscam suas vidas para perseguir suas ambições”.

A primeira-dama disse que o verdadeiro objetivo dos sequestradores é impedir que as meninas estudem, descrevendo-os como “homens crescidos tentando acabar com as aspirações de jovens meninas.”

Michelle lembrou da adolescente paquistanesa Malala Yousafzai, que sobreviveu após ter levado um tiro na cabeça quando ia para a escola em 2012. Após o ataque, Malala se tornou uma ativista dos direitos das mulheres ao estudo.

Michelle Obama disse que 65 milhões de meninas ao redor do mundo não vão à escola, embora isso seja fundamental para que elas possam garantir uma vida melhor para elas e suas futuras famílias.

“Quando mais meninas vão à escola a economia de todo o país melhora. A educação é definitivamente o melhor caminho para um futuro melhor, não apenas para cada menina, mas também para sua família e a nação”, afirmou.

Ela aproveitou para estimular os jovens norte-americanos a estudarem mais. “Espero que todo jovem que considere a escola como algo garantido, que esteja fazendo pouco esforço ou pensando em abandonar os estudos, reflita sobre a história dessas meninas e se comprometam pra valer com sua educação”, disse.

LEIA TAMBÉM

Repúdio ao sequestro de jovens mulheres na Nigéria

Meninas sequestradas na Nigéria são obrigadas a casar com terroristas

O novo protagonista africano

O fracasso do governo nigeriano em socorrer as crianças quase um mês depois que elas foram sequestradas pela organização terrorista islâmica Boko Haram provocou protestos na Nigéria e no resto do mundo. A própria Michelle tirou uma foto na noite de quinta-feira (07) com um cartaz de apoio à campanha #BringBackOurGirls.

Os EUA e outros países enviaram especialistas para ajudar o governo nigeriano a resgatar as crianças, mas até agora não houve notícias de uma ação concreta com apoio internacional.

Segundo as autoridades do país, mais de 300 meninas foram sequestradas de uma escola numa região remota do nordeste da Nigéria. Cinquenta e três conseguiram escapar, mas 276 continuam desaparecidas. Entre as que conseguiram fugir, há relatos de estupros e violência.

O líder do grupo terrorista Boko Haram, Abubakar Shekau, assumiu a responsabilidade pelo sequestro e ameaçou vender as meninas. “A educação occidental é pecadora”, afirmou o terrorista, que diz seguir o islamismo.

A Federação das Associações Muçulmanas do Brasil e o Instituto de Cultura Árabe divulgaram nesta sexta-feira uma nota condenando o sequestro. “O sequestro, a venda e o uso de mulheres como escravas sexuais são crimes contra a humanidade, tanto na dimensão moral da expressão como no seu sentido legal. Estão entre os piores crimes igualmente condenados pelo direito internacional e pela Sharia islâmica. Nada, no Islã ou fora dele, pode servir a explicar e muito menos a justificar tais crimes”, afirmaram as entidades”, na nota de repúdio.