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06/05/2014 12:27 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:29 -02

Educação de qualidade lidera ranking de prioridades da pesquisa da ONU por um mundo melhor

Na sua opinião, que mudanças podem fazer o seu mundo melhor? As Nações Unidas querem ouvir o que você tem a dizer e também todos os cidadãos do planeta – aqueles que vivem nas grandes metrópoles até os que habitam nos mais remotos cantos da Terra. A resposta de todos será compartilhada com líderes mundiais que irão definir em 2015 a próxima agenda de desenvolvimento global.

Para saber o que pensamos, a ONU está realizando a pesquisa global My World*. Quase dois milhões de pessoas de 194 países já votaram nos seis assuntos que consideram prioritários para transformar o mundo num lugar melhor.

Corinne Woods, diretora da Campanha do Milênio das Nações Unidas, é uma das responsáveis pela realização da pesquisa. De seu escritório em Nova York, ela falou ao Parceiros do Planeta, da Editora Abril, sobre os últimos resultados da iniciativa, a participação brasileira e a importância do engajamento internacional para definir a nova agenda pós-2015.

Parceiros do Planeta: Quais são as últimas novidades da pesquisa My World?

Corinne Woods: Já temos 1,8 milhão de pessoas participantes da pesquisa. Estamos bem próximos a chegar aos 2 milhões. Mais da metade destas pessoas tem menos de 30 anos. O que temos percebido é uma mudança nas respostas. Governo honesto e atuante aparece como número três na lista de prioridades entre os pesquisados e educação de qualidade continua sempre em primeiro lugar. Na segunda posição temos melhoria dos serviços de saúde e na quarta melhores oportunidades de trabalho. O que tem mais chamado nossa atenção realmente é o aumento impressionante do número de jovens engajados na pesquisa.

Que países têm demonstrado maior participação no levantamento?

Entre os dez ou doze países que têm participado mais da campanha há uma boa mistura entre aqueles com baixo e médio Índices de Desenvolvimento Humano (IDH). Sri Lanka, Índia, Nigéria, Iêmen, Filipinas, Tailândia, Ruanda e Brasil são oito países que vemos como líderes em participação. Os Estados Unidos, entre os países com alto IDH, tem se mostrado bastante engajado.

Por que é tão importante que haja participação de pessoas de cada canto do planeta?

Um de nossos temores é que se tivéssemos uma pesquisa predominantemente com respostas de países com IDH muito alto e de pessoas muito conectadas à internet, ela representaria anseios dos muito ricos e com melhor acesso à informação. O que temos percebido, entretanto, é um equilíbrio muito bom. Cerca de 1,4 milhão de respostas vieram de lugares com índices de IDH baixo ou médio. E isso é muito importante. Vamos poder saber exatamente também o que a população de determinado país pensa sobre temas prioritários para termos um mundo melhor. Isto será ainda uma ferramenta muito útil para os governos destas nações, que poderão analisar e compreender o que os mais jovens ou os mais velhos querem, o que as pessoas com menor ou maior nível de educação buscam na nova agenda para o desenvolvimento sustentável.

A internet não é o único canal para se responder ao levantamento?

Este é um ponto muito importante a ressaltar. Mais da metade das respostas não vieram através da internet ou sms. Elas chegaram através dos velhos e tradicionais papel e caneta. As pessoas foram até centros comunitários, organizações e participaram da pesquisa. Isso significa que temos um excelente equilíbrio na amostra.

Como tem sido a participação do Brasil na pesquisa?

Brasil é um dos países com o maior número de participantes na My World. Foram ouvidas cerca de 50 mil pessoas. Para o tamanho do país, entretanto, esperamos ter mais gente envolvida. Mas uma coisa importante é que o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) está fazendo um levantamento offline detalhado com os entrevistados, o que nos dará uma amostragem com qualidade no Brasil. Até agora temos mais mulheres entrevistadas do que homens e uma grande maioria de jovens participando.

Que assuntos os brasileiros têm votado como sendo os mais importantes para termos um mundo melhor?

Até agora os brasileiros têm votado como sendo prioridades educação de qualidade, melhoria dos serviços de saúde, governo honesto e atuante e proteção contra crime e violência – este último estando numa posição muito mais elevada do que das demais respostas globais, e por último aparece proteção a florestas, rios e oceanos. O Brasil se mostra discretamente diferente dos demais países ao votar particularmente nestes dois assuntos: violência e proteção ambiental. Outro tema que os brasileiros demonstram maior preocupação, principalmente se comparados com o resto da América do Sul, é combate às mudanças climáticas.

A ONU quer ouvir ainda mais vozes?

Sim! Principalmente no caso do Brasil podemos ter mais pessoas engajadas. Cinquenta mil é bom, mas certamente queremos ouvir mais vozes, ter uma maior diversidade e contar com a opinião das classes mais pobres. O governo do Brasil tem muito interesse em saber a opinião das pessoas, então precisamos fazer com que ele as ouça. Quando o governo estiver planejando uma nova agenda, será importante que ele leve em consideração a vontade dos brasileiros.

Qual é o papel das Nações Unidas em promover o debate para definir a agenda para um mundo melhor e mais sustentável?

As Nações Unidas são o lugar onde esta discussão acontecerá. É um debate intergovernamental e o Brasil tem tido uma papel bastante ativo nele. Será no ano que vem que o grupo de trabalho para o desenvolvimento sustentável fará o documento a ser apresentado aos Estados Membros, que assinarão a nova agenda em setembro de 2015. As Nações Unidas são o palco onde esta nova agenda será elaborada e acordada, por isso é essencial escutarmos as vozes e anseios de todos os indíviduos.

* Para participar da pesquisa, basta acessar o site da My World 2015.