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06/05/2014 10:42 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:29 -02

33 mulheres morrem por hora devido a complicações na gravidez

Natalie Behring-Chisholm/Getty Images

Mais de 800 mulheres morrem todos os dias devido a complicações na gravidez e no parto, segundo divulgou a Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta terça (6). São 33 mortes por hora no mundo.

A mortalidade materna, no entanto, registra redução de 45% desde 1990. Segundo a OMS, 289 mil mulheres morreram em 2013 devido a complicações relacionadas à gravidez e ao parto. Em 1990, foram 523 mil mortes.

A quase totalidade das mortes maternas (99%) ocorre em países em desenvolvimento e um terço do total é registrado em apenas dois países: a Índia (50 mil) e a Nigéria (40 mil). De acordo com a OMS, a região mais perigosa para se ter um filho é a África Subsaariana.

Os dez países que carregam a maior parte do peso e representam 60% das mortes são Índia, Nigéria, República Democrática do Congo, Etiópia, Indonésia, Paquistão, Tanzânia, China e Uganda.

"Mais de 15 milhões de meninas com idades entre 15 a 19 anos dão à luz todo ano - uma em cada cinco antes dos 18 anos - e em muitos casos é resultado de sexo não-consensual", diz Kate Gilmore, vice-diretora executiva do Fundo Populacional das Nações Unidas (UNFPA). "Intervenções relativamente simples e conhecidas, como prevenção a violência de gênero e serviços de obstetrícia, podem fazer uma enorme diferença se acompanhados com investimento e inovação, especialmente na área de contraceptivos".

Discrepâncias

A taxa de mortalidade materna nos países em desenvolvimento em 2013 foi 230 por 100 mil nascimentos, enquanto nos países desenvolvidos foi 16 por 100 mil nascidos vivos.

A organização, sediada em Genebra, alerta para as grandes disparidades entre os países – com alguns registrando taxas de mortalidade materna extremamente elevadas, de 1.000 por cada 100 mil nascidos vivos - e também entre pobres e ricos dentro de alguns países.

Outro estudo da agência da ONU para a saúde, publicado hoje na revista The Lancet Global Health revela que uma em cada quatro mortes se deve a complicações previamente existentes, como diabetes, HIV, malária ou obesidade, cujos impactos são agravados pela gravidez.

Um quarto das mortes deve-se a hemorragia severa. Outras causas identificadas são a hipertensão induzida pela gravidez (14%), as infeções (11%), obstruções e outras complicações no parto (9%), complicações relacionadas com o aborto (8%) e coágulos sanguíneos (3%).

“Juntos, os dois relatórios destacam a necessidade de investir em soluções comprovadas, como cuidados de saúde de qualidade para todas as mulheres durante a gravidez e o parto, e cuidados especiais para grávidas com problemas clínicos pré-existentes”, disse a diretora-geral adjunta da OMS para a Saúde da Família, Mulher e Criança, Flavia Bustreo, citada em comunicado da OMS.

Outro alerta da organização é sobre a falta de dados rigorosos relacionados à mortalidade materna. Apesar de ter aumentado o conhecimento sobre o número de mulheres que morrem e as razões das mortes, muitos dados ainda não são registrados.

"Precisamos documentar cada um desses acontecimentos trágicos, determinar as suas causas e iniciar ações corretivas urgentemente”, acrescentou Bustreo.

(Com Agência Brasil)