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02/05/2014 08:22 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:29 -02

Dilma ou Lula em outubro? PT deve reforçar caminho a seguir em encontro em SP nesta sexta-feira

Instituto Lula

As principais lideranças nacionais do Partido dos Trabalhadores (PT) estarão reunidas a partir desta sexta-feira (2) em São Paulo, onde a sigla realiza o XIV Encontro Nacional. O evento, que acontece no Palácio de Convenções do Anhembi, na zona norte da capital paulista, terá o seu ápice às 18h, quando a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva darão o ar da graça. Mais do que reafirmar união, os petistas devem indicar o rumo a seguir.

As seguidas quedas nas pesquisas de intenção de voto, já visando às eleições presidenciais de outubro, fizeram com que o legado pareça a perigo com Dilma encabeçando a candidatura do PT no pleito. A reeleição da presidente, em meio à CPI da Petrobras e às críticas ao pequeno crescimento econômico do Brasil, já não parece tão concreta, ainda mais no primeiro turno, o que fez setores favoráveis a um retorno de Lula saírem das sombras dentro da própria base governista. Nascia o movimento "Volta, Lula".

Nesta semana, 20 parlamentares do Partido Republicano (PR) assinaram um manifesto no qual indicaram que a liderança de Lula é necessária “neste momento de crise no Brasil e no exterior". O líder do PR, Bernardo Vasconcellos, pendurou uma foto de Lula no escritório da agremiação e disse aos repórteres: “Não é que não queiramos ela [Dilma], queremos o Lula”. Dentro do próprio PT, vários parlamentares gostariam de ver o ex-presidente, que comandou o País entre 2003 e 2010, voltar ao Palácio do Planalto.

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O tema ganhou ainda mais força com a notícia da colunista Joyce Pascowitch, da UOL, publicada na última segunda-feira (28) e que garantia que Lula será o candidato petista em outubro. A apuração foi feita junto a pessoas muito próximas ao ex-presidente, segundo a colunista. Todavia, foi negada mais uma vez pela assessoria de Lula, do PT e pela própria Dilma, que reafirmou que será ela a candidata petista nas eleições.

É nisso que repousa grande parte da importância do Encontro do PT em São Paulo nesta sexta-feira: irá o partido enterrar de vez uma possível candidatura de Lula – que, segundo especula-se, teria amplo espaço para retornar nas eleições presidenciais de 2018, acabando consequentemente com o movimento “Volta, Lula”? Automaticamente, seria a constatação que o partido estaria voltado integralmente para apoiar a reeleição de Dilma.

A abertura do encontro aconteceu às 10h desta sexta-feira, conduzida pelo presidente da sigla, Rui Falcão. É dele a responsabilidade ainda de abordar a “estratégia para as eleições” do que o PT já chama de “programa de governo Dilma Presidenta 2014”. Será o bastante para silenciar os que querem o retorno de Lula já neste pleito? O encontro pode dar um indicativo forte, mas a legislação eleitoral permite alterações nas chapas até três meses antes da votação.

Em 2010, o ex-ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu – hoje preso, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento no mensalão – chegou a dizer que Lula “era duas vezes maior do que o PT”. Tal tese vai de encontro com o que disse recentemente a adversária Marina Silva, vice na chapa de Eduardo Campos (PSB): “Lula é a bala de prata do PT”. Em tempos de “vacas magras”, até os petistas sabem que só se lança mão de sua “arma secreta” se o projeto maior estiver em risco.

As próximas pesquisas de intenção de voto, somadas ao clima interno do próprio partido, é que irão direcionar o caminho a ser seguida por aqueles que estão no comando do Brasil há 11 anos. Um bom indicativo pode sair nas próximas horas da reunião na capital paulista.