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01/05/2014 08:37 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:29 -02

"Tinha personalidade e se garantia com seu talento", afirma biógrafo de Senna

Lemyr Martins

Ter coberto 377 GPs de Fórmula 1 não foi o maior feito na carreira do fotojornalista Lemyr Martins. Ter acompanhado e registrado toda a carreira de Ayrton Senna da Silva , do início ao fim, considerado por muitos o maior piloto da história da categoria, sim.

Desde a época em que o futuro ídolo do esporte brasileiro ainda dava suas primeiras aceleradas no kart, o sagaz fotógrafo já se atinava ao talento e à personalidade que caracterizava o jovem Senna.

Para Lemyr, Senna tinha personalidade para sempre exigir o melhor e dava a resposta nas pistas, com o talento que possuía ao volante. “Senna queria sempre os melhores pneus, os melhores motores, os melhores ajustes no seu carro, e lutava por isso”, garante o biógrafo do piloto, que viveu o circo da Fórmula 1 de 1970 a 2003, registrando imagens em publicações como Placar, Quatro Rodas, Grid e Ação.

“Senna tinha os engenheiros na mão. Estudava muito a pista, o carro, queria saber de tudo, um parafuso, uma luzinha, os mínimos detalhes, testava tudo à exaustão”, relembra Martins, em entrevista ao Brasil Post.

Quando ingressou na McLaren, em 1988, teve como companheiro uma lenda das pistas, Alain Prost, bicampeão da categoria, travando duelos épicos com o francês. “Senna corria sempre para vencer”.

Fatos recorrentes ocorridos com pilotos brasileiros da atualidade, como Rubens Barrichello e Felipe Massa, que cederam posições a companheiros de equipe, por ordens superiores, jamais ocorreram com Senna.

“A única vez em que cedeu passagem para um companheiro de equipe foi em 1991, no Japão, quando deixou Berger o ultrapassar na última volta”, lembrou Martins, ressaltando que foi um “presente” do brasileiro para o piloto austríaco, que era seu amigo. “Foi difícil para ele, mas Senna gostava muito de Berger”, completa.

Os últimos dias de Senna na McLaren, escuderia pela qual conquistou seus três títulos, foram difíceis para o piloto brasileiro, afirma Martins. Em suas corridas derradeiras na equipe, “correu sem contrato”.

Já na Willians, não teve tempo para emplacar seu nome na história da escuderia inglesa. “Senna ia fazer aquele carro voar”, garante o fotógrafo. No GP de Imola, disputado no fatídico dia 1º de maio de 1994, o brasileiro planejava homenagear o austríaco Roland Ratzenberger, morto na véspera, durante o treino de classificação para a corrida. "Ele levantaria a bandeira da Áustria se vencesse – e iria vencer- a prova”.

A comoção dos brasileiros na morte de Senna, para Martins, só se compararia ao falecimento de Getúlio Vargas – a imprensa italiana lembrou do funeral do indiano Mahatma Gandhi. O lado positivo, na visão do fotógrafo, foi o aprimoramento da segurança nas pistas. “Ninguém mais morreu na Fórmula 1 depois da morte dele”.

Martins lembra-se de, no dia da morte do piloto, ficar esperando um carro vermelho e branco, pilotado por um piloto de capacete amarelo, despontar na pista, em vão - Senna já não pilotava uma McLaren.

Esta seria, para sempre, entretanto, a lembrança mais doce guardada na memória do fotógrafo.

(Colaborou Elizabeth Costa)