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01/05/2014 10:59 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:29 -02

Busca por avião da Malásia demorou quatro horas para começar após desaparecimento, diz relatório

O Ministério do Transporte da Malásia divulgou nesta quinta-feira (01) o relatório preliminar sobre o desaparecimento do avião da Malásia. Em vez de explicar exatamente o que aconteceu, no entanto, o relatório de apenas cinco páginas apenas levanta mais dúvidas.

As autoridades de aviação da Malásia demoraram 17 minutos para perceber que o avião havia desaparecido dos radares e a operação oficial de resgate só foi acionada quatro horas mais tarde. Esses são os dois principais detalhes divulgado no relatório, mas não constam explicações sobre essa demora.

A hora exata do desaparecimento do avião que carregava 239 pessoas de Kuala Lumpur a Pequim é 1h21 de 8 de março. Nesse momento, a tripulação deveria ter contatado o controle de tráfego aéreo em Ho Chi Minh, no Vietnã, mas não o fez. Dezessete minutos depois, a torre de controle vietnamita perguntou às autoridades da Malásia onde estava o avião. Não se sabe se nesses 17 minutos o controle de tráfego aéreo não notou ou não fez nada a respeito do desaparecimento.

Depois disso, houve um intervalo de quatro horas entre o momento em que a Malásia percebeu o desaparecimento até a ativação da operação de buscas. O único detalhe revelado no relatório foi que Kuala Lumpur contatou Singapura, Hong Kong e Cambodia.

Na terça, uma autoridade da companhia do avião, a Malaysia Airlines, disse que o avião provavelmente ficou sem combustível cerca de sete horas e meia depois de decolar. Isso significa que ainda havia combustível durante essas quatro horas entre o desaparecimento e o início das buscas.

O especialista em avião Richard Quest disse à CNN que o relatório em questão é o mais resumido possivel que as autoridades da Malásia poderiam dar sem serem acusadas de negar informações. O relatório do voo 447 da Air France, entre Rio de Janeiro e Paris e que caiu no Atlântico em 2009, tinha 129 páginas. O da Malásia tem apenas cinco.

Além disso, o governo da Malásia foi criticado por enviar o relatório para veículos de imprensa e para a ONU, mas não para as famílias das vítimas. Como o relatório foi enviado por e-mail, os repórteres não puderam fazer perguntas em uma coletiva de imprensa.

Também nesta quinta-feira, a Malaysia Airlines aconselhou os familiares dos passageiros a bordo do voo MH 370 a voltarem para suas casas no aguardo de notícias sobre o avião desaparecido. Desde que o Boeing 777 desapareceu em 8 de março, a companhia aérea hospedou as famílias em hoteis, onde eles eram informados sobre as buscas. Mas agora a companhia informou que essa assistência só vai durar até 7 de maio e que as famílias deveriam aguardar notícias “no conforto de seus lares”. Quase dois meses após o desaparecimento, nenhum destroço pertencente ao avião foi encontrado, mas o governo da Malásia afirmou que o avião caiu no Oceano Índico e não há sobreviventes.

(Com Associated Press)