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29/04/2014 09:09 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:29 -02

Presidente do Supremo repudia opinião de Lula sobre julgamento do mensalão do PT

José Cruz/ABr

Se a militância petista celebrou as declarações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o julgamento do mensalão, a opinião dele de que o processo teve "80% de decisão política e 20% de jurídica" repercutiu muito mal entre autoridades judiciárias. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, manifestou repúdio às falas de Lula e lamentou a "dificuldade" da compreensão do petista.

"A desqualificação do Supremo Tribunal Federal, pilar essencial da democracia brasileira é um fato grave que merece o mais veemente repúdio", lamentou Barbosa, em nota enviada à imprensa. "Essa iniciativa emite um sinal de desesperança para o cidadão comum, já indignado com a corrupção e a impunidade, e acuado pela violência. Os cidadãos brasileiros clamam por justiça", escreveu.

Lula criticou a postura do STF em entrevista à RTP, emissora de televisão portuguesa. Joaquim Barbosa se queixou da opção do ex-presidente para ecoar contra o Judiciário brasileiro. "Lamento profundamente que um ex-presidente da República tenha escolhido um órgão da imprensa estrangeira para questionar a lisura do trabalho realizado pelos membros da mais alta Corte do País."

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O presidente do Supremo defendeu ainda que a transparência foi a marca dos trabalhos da Corte na apuração e processo decisório sobre a ação penal 470 – vulgo mensalão petista. "Pela primeira vez na história do tribunal, todas as partes de um processo criminal puderam ter acesso simultaneamente aos autos, a partir de qualquer ponto do território nacional, uma vez que toda a documentação fora digitalizada e estava disponível em rede."

Ao fim da nota, Barbosa questionou o entendimento de Lula sobre o papel da Justiça em uma democracia. "O juízo de valor emitido pelo ex-chefe de Estado não encontra qualquer respaldo na realidade e revela pura e simplesmente sua dificuldade em compreender o extraordinário papel reservado a um Judiciário independente em uma democracia verdadeiramente digna desse nome", concluiu.