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28/04/2014 15:55 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:29 -02

Lula é alvo de críticas após dizer que julgamento do mensalão foi "80% político"

Carla Carniel/Frame/Estadão Conteúdo

O Judiciário e a oposição reagiram às declarações dadas pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a uma emissora de televisão portuguesa, na qual ele disse que a decisão do julgamento do mensalão foi “80% de decisão política e 20% jurídica”. O primeiro a se manifestar foi o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministro do Superior Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello.

Em declarações reproduzidas pelo jornal Folha de S. Paulo, ele classificou a posição de Lula como um “troço de doido”. “Não sei como ele tarifou, como fez essa medição. qual aparelho permite isso? É um troço de doido”, disse. O ministro ainda enfatizou que a Corte é apartidária e que o ex-presidente está lançando mão do seu “sagrado direito de espernear”.

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Lula concedeu entrevista à TV portuguesa RPT na última sexta-feira (25). Nela, ele disse acreditar que a maioria das decisões do processo foram políticas e não jurídicas, como deveriam ser. “O mensalão, o tempo vai se encarregar de provar, teve praticamente 80% de decisão política e 20% de decisão jurídica”, opinou. Além disso, ele viu o processo ser conduzido de uma forma a “destruir o PT”.

Outro a falar sobre as declarações de Lula foi o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Ele adotou um tom menos crítico, porém com alguma ironia, para falar sobre o tema. “Ele tem todo o direito de falar, todo brasileiro tem. Graças a Deus, a gente vive num país democrático, de liberdade de expressão absoluta, que tem que ser garantida pelo próprio MP [Ministério Público]”, comentou Janot ao jornal O Estado de S. Paulo.

Já o senador Aécio Neves (PSDB-MG), pré-candidato à Presidência da República nas eleições de outubro, não deixou por menos. Ao G1, o tucano classificou como “lamentável” a opinião de Lula sobre o assunto. “É lamentável vermos um ex-presidente da República com afirmações que depõem contra o Poder Judiciário brasileiro, esteio da democracia brasileira. Não podemos respeitar o Poder Judiciário quando ele toma decisões que nos são favoráveis e desrespeitá-lo quando ele toma decisões que não nos são favoráveis”, comentou.