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27/04/2014 12:18 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:29 -02

Ex-assessor de Alexandre Padilha trabalha para doleiro investigado por lavagem de dinheiro

WILLIAM VOLCOV/ESTADÃO CONTEÚDO

Marcus Cezar Ferreira de Moura é o nome que está tirando o sono do ex-ministro Alexandre Padilha, pré-candidato ao governo de São Paulo. Ele foi ex-assessor de Padilha no Ministério da Saúde, de maio a agosto de 2011, segundo o jornal Folha de S. Paulo. A edição deste domingo informa que Marcus recebia R$ 4.042,06 e atuava como promotor de eventos.

No final de 2013, Marcus foi contratado para ser diretor institucional do laboratório Labogen, propriedade de doleiro Alberto Youssef – alvo da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, que desmontou diversos esquemas de lavagem de dinheiro.

De promoter do ministério, Marcus passou a ser um executivo com salário registrado em carteira de R$ 4.000, mas vencimento real de R$ 25 mil, segundo apurou o repórter da Folha Mario Cesar Carvalho.

Marcus atuaria como lobista e, segundo a Polícia Federal, ele teria sido indicado ao cargo no Labogen pelo próprio ministro Padilha.

Na gestão de Padilha, o Ministério da Saúde chegou a firmar uma parceria com o Labogen, também no final do ano passado, no valor de R$ 31 milhões. A parceria, obtida com a ajuda do deputado federal licenciado André Vargas (sem partido-PR), recém-desligado do PT, foi abortada quando a Folha revelou que Youssef "era o dono oculto do Labogen".

Na quinta-feira (24), Alexandre Padilha foi às redes se defender:

Vargas em maus lençóis

André Vargas seria o elo entre Padilha e Youssef e teria tentado ajudar o amigo doleiro a conseguir dinheiro do governo federal.

O ex-ministro da Saúde ameaça processar Vargas por citar seu nome em uma troca de mensagens com Youssef, interceptada pela Polícia Federal.

Nas SMSs que constam dos relatórios da Polícia Federal, Vargas tenta articular reuniões entre o doleiro e o então ministro.

André Vargas pediu para se desfiliar do PT nesta sexta-feira (25) depois de sofrer pressão da cúpula do partido, devido aos vínculos com Youssef.

"Sem partido, irei dedicar-me agora à minha defesa no Conselho de Ética da Câmara, confiante de que me serão asseguradas as prerrogativas do contraditório e da ampla defesa", informou em nota enviada pela assessoria.