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22/04/2014 17:48 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:29 -02

Parecer preliminar contra André Vargas é adiado com pedido de vista de petista

Juliana Knobel/Frame/Estadão Conteúdo

Um pedido de vista do deputado Zé Geraldo (PT-PA) impediu a votação do parecer preliminar contra André Vargas (PT-PR) no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados nesta terça-feira (22). Com isso, o conselho adiou por duas sessões do plenário a votação do documento, redigido pelo relator do caso, o deputado Júlio Delgado (PSB-MG), que pede a continuidade do inquérito. O pedido de vista foi subscrito pelo deputado José Carlos Araújo (PSD-PA).

Zé Geraldo é o mesmo deputado que tentou evitar a abertura do processo contra Vargas, no dia 9 de abril. Ele apresentou uma questão de ordem, afirmando que não existiam provas contra o então vice-presidente da Câmara e que, desta forma, o Conselho de Ética só poderia analisar o caso após avaliação da Corregedoria da Câmara. Na ocasião, o pedido acabou negado pelo presidente do conselho, Ricardo Izar (PSD-SP).

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A votação do parecer preliminar é importante para o andamento do processo por quebra de decoro contra Vargas, por conta de suas relações com o doleiro Alberto Yousseff, preso no mês passado na Operação Lava Jato da Polícia Federal. Aprovado o documento, passa a contar o prazo de dez dias para que o deputado do PT apresente a sua defesa. Anteriormente, Ricardo Izar afirmou esperar pela conclusão do caso antes do dia 18 de julho, quando começa o recesso parlamentar.

Segundo denúncias reveladas pela imprensa nas últimas semanas, Alberto Yousseff pagou um jatinho para levar Vargas e a família para passar as férias em João Pessoa (PB), no final do ano passado. Além disso, há denúncias de que o deputado teria intercedido em favor de uma das empresas de fachada do doleiro em negócios com o Ministério da Saúde. A Polícia Federal interceptou conversas em que o doleiro cobra a atuação de Vargas e diz que a “independência financeira” dos dois dependeria do sucesso no negócio.

De sua parte, André Vargas se diz inocente e, por isso, se recusou a renunciar ao mandato até aqui, contrariando o desejo dos caciques do PT. Dentro do partido, ainda nesta semana será definido se o deputado será alvo de um conselho de ética interno, o qual poderia resultar em sua expulsão da sigla.

Se renúncia ocorrer, suplente assume imediatamente

Marcelo Almeida (PMDB-PR) é o suplente que irá assumir a vaga de André Vargas, caso o petista renuncie antes do fim do processo contra ele no Conselho de Ética. A informação foi prestada pelo presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). De acordo com ele, se ocorrer a renúncia, ela será acatada e o suplente assume imediatamente. Todavia, renunciar não salva Vargas da continuidade do processo até o final.

(Com Agência Câmara)