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21/04/2014 19:54 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:29 -02

Síria anuncia eleições presidenciais para 3 de junho

MANDEL NGAN via Getty Images
Demonstrators holding the Syrian opposition flag take part in a rally against the Syrian government on March 15, 2014 at Lafayette Square, across from the White House, in Washington to mark the third anniversary of the start of the conflict in Syria. The unrest began on March 15, 2011 after popular uprisings that toppled dictators in Tunisia and Egypt and has turned into a full-blown civil war, leaving over 100,000 people dead and forcing some 9 million people from their homes. AFP PHOTO/Mandel NGAN (Photo credit should read MANDEL NGAN/AFP/Getty Images)

A Síria fará eleições presidenciais em 3 de junho, disse o porta-voz do Parlamento nesta segunda-feira, estabelecendo uma data para o pleito que deve levar ao terceiro mandato do presidente Bashar al-Assad, dias depois de ele ter dito que suas forças estão vencendo a guerra civil no país.

Países ocidentais e do Golfo Árabe que apoiam oponentes de Assad têm classificado os planos de eleições como uma "paródia de democracia" e disseram que isso destruiria esforços para negociar um acordo de paz.

Monzer Akbik, do grupo de oposição Coalizão Nacional apoiado pelo Ocidente, disse à Reuters que a eleição foi um sinal de que Assad não estava disposto a procurar uma solução política para o conflito.

"Este é um estado de separação da realidade, um estado de negação. Ele não tem qualquer legitimidade antes desta eleição teatral e não terá depois", disse Akbik.

A União Europeia reiterou a sua posição contra a realização de uma eleição agora. Ela disse que tal processo "realizado no meio do conflito, apenas em áreas controladas pelo regime e com milhões de sírios deslocados de suas casas, seria uma paródia da democracia, não têm credibilidade alguma, e mina os esforços para alcançar uma solução política".

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse : "Tais eleições são incompatíveis com a letra e o espírito do comunicado de Genebra", referindo-se a um acordo de junho de 2012 sobre busca de uma transição política na Síria.

A porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Jen Psaki, disse: "O regime sírio sob o Assad nunca realizou uma eleição crível, livre e justa e tomou medidas legais e administrativas para garantir que esta votação não será justa".

Os três anos de rebelião contra Assad já mataram mais de 150 mil pessoas, obrigaram milhões de pessoas a fugir de suas casas e levaram o governo a perder o controle sobre faixas de território.

Assad não disse se iria participar da eleição, mas seus aliados do movimento xiita Hezbollah na Rússia e no Líbano disseram que ele vai participar e vencer.

Anunciando a eleição na emissora estatal, o porta-voz do Parlamento Mohamed Jihad al-Laham disse que os pedidos de candidatura serão aceitos até 1º de maio. A eleição para sírios que vivem no exterior ocorrerá nas embaixadas do país em 28 de maio, disse.

Assad disse em meados de abril que o conflito atingiu um "ponto de virada" devido às vitórias de suas forças militares contra os rebeldes, disse a mídia estatal.