NOTÍCIAS
21/04/2014 09:14 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:23 -02

Estádios da Copa 2014: os palcos da competição, a corrida contra o tempo e os gastos bilionários

Divulgação / Portal da Copa

No dia 30 de outubro de 2007, a Fifa anunciou o Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014. Começava ali outra disputa, envolvendo as cidades brasileiras postulantes à sede da competição.

Os centros futebolísticos mais tradicionais estavam garantidos. Assim, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Belo Horizonte não precisavam se preocupar. A capital do país, Brasília, além de cidades com times que constantemente figuram na elite do futebol nacional, como Curitiba, Salvador e Recife também eram dadas como sedes certas.

Outros dez municípios corriam por fora: Cuiabá, Natal, Fortaleza, Manaus, Campo Grande, Goiânia, Maceió, Florianópolis, Belém e Rio Branco.

A proposta inicial da Fifa era de que houvessem dez sedes. O Comitê Organizador Local, no entanto, rebateu: sendo o Brasil um país de proporções continentais, seria justo que a Copa do Mundo fosse realizada em 12 cidades. E assim foi estabelecido.

Dentro desta corrida pela honra – e responsabilidade – de poder abrigar partidas do mais importante torneio de futebol do planeta, havia algumas disputas particulares. Belém, Rio Branco e Manaus, na Região Norte, travavam uma frente de batalha. Cuiabá, Campo Grande e Goiânia, no Centro-Oeste, protagonizavam outra competição. Natal, Fortaleza e Maceió tentavam se juntar à Recife e Salvador como representantes nordestinos. Florianópolis tinha poucas chances.

Belém e Goiânia, cidades com clubes de massa, seriam escolhas sensatas, levando-se em consideração puramente o futebol como parâmetro. Manaus e Cuiabá, no entanto, tinham a Floresta Amazônica e o Pantanal, respectivamente, como atrativos turísticos, um importante trunfo.

A escolha das sedes e a disputa em São Paulo

Em 30 de outubro, então, deu-se o anúncio das 12 sedes. Seriam elas: Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Brasília, Curitiba, Salvador, Recife, Fortaleza, Natal, Cuiabá e Manaus.

Tão logo deu-se a confirmação das cidades-sedes, o Rio de Janeiro foi garantido como palco da final, com o Maracanã, e São Paulo como o local da abertura da Copa. Pensava-se, à princípio, no Morumbi como representante paulista no Mundial. Mas a má relação entre o São Paulo, dono do estádio, e a CBF pesou e o estádio foi descartado, com a justificativa de que o clube não havia apresentado garantias financeiras para tal propósito.

No fim das contas, um novo estádio, de propriedade do Corinthians, foi construído na cidade – inaugurado às vésperas do início da competição, a Arena Corinthians, conhecido popularmente como Itaquerão, foi uma das maiores dores de cabeça para a Fifa na organização da competição.

Corrida contra o relógio

Definidos os estádios que seriam usados na Copa, uma intensa corrida contra o relógio teve início. Seis arenas – novas e reformadas – ficaram prontas para a Copa das Confederações, disputada em junho de 2013. Pela ordem: Castelão (dezembro de 2012), Mineirão (dezembro de 2012), Fonte Nova (abril de 2013), Maracanã (abril de 2013), Mané Garrincha (maio de 2013) e Arena Pernambuco (maio de 2013).

O prazo inicial dado pela Fifa ao COL (Comitê Organizador Local) para a entrega dos 12 estádios era 31 de dezembro de 2013, mas nenhum dos seis estádios que não foram usados na Copa das Confederações conseguiram cumprir a promessa. De janeiro para cá, foram inaugurados o Estádio das Dunas (janeiro de 2014), a Arena da Amazônia (março de 2014), a Arena Pantanal (abril de 2014), o Beira-Rio (abril de 2014), a Arena da Baixada (maio de 2014) e a Arena Corinthians (maio de 2014).

Além dos atrasos, a questão do financiamento das estruturas provisórias dos estádios, sobretudo nas arenas particulares, foi outra fonte de intensa preocupação para a Fifa.

Bilhões gastos em estádios “padrão Fifa”

O alto investimento de recursos públicos em estádios da Copa do Mundo fez com que a população brasileira fosse às ruas protestar contra a gastança. Durante a Copa das Confederações, grandes manifestações foram realizadas às portas dos estádios, durante as partidas.

O custo total dos estádios (sete novos e cinco reformados) ficou orçado em R$ 8,005 bilhões, segundo a Matriz de Responsabilidades consolidada, divulgada pelo Ministério dos Esportes em setembro de 2013. Em 2007, uma semana antes de o Brasil ser confirmado como sede, a previsão era de que os gastos com obras em estádios fossem de R$ 2,2 bilhões. Houve, então, um aumento de 263% em seis anos.

Comparando com os gastos em estádios realizados nas Copas da Alemanha, em 2006, e da África do Sul, em 2010, o Brasil tem os assentos mais caros, na média. São R$ 8,005 bilhões investidos em 664 mil lugares, o que dá um valor de R$ 12.005 para cada cadeira instalada nas arenas. Na Alemanha o valor médio de cada assento foi de R$ 6.412 e na África do Sul, R$ 7.021.

Alguns estádios, como o Maracanã e o Mineirão, já receberam importantes decisões interclubes, como as finais da Copa do Brasil e da Taça Libertadores da América, respectivamente. Outros, considerados "elefantes brancos", como Arena da Amazônia, a Arena Pantanal e o Estádio Nacional Mané Garrincha terão que pensar alternativas para não ficarem "às moscas" depois da Copa.

Craque nos gramados, deputado federal Romário é crítico da realização da Copa no Brasil

Uma das principais vozes de oposição à organização da Copa do Mundo no País, o ex-jogador Romário, atualmente exercendo mandato de deputado federal em Brasília, é um crítico feroz do Comitê Organizador Local do Mundial (COL), da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e da Fifa. Em entrevista ao canal de TV por assinatura ESPN Brasil, afirmou: "Já gastamos um absurdo pra Copa do Mundo e daqui pra frente vai ficar pior ainda".

"Tenho falado e vou repetir aqui: agora temos que torcer pro Brasil ganhar dentro de campo, até porque seria perfeito para o futebol. Mas fora de campo nós já perdemos e não tem como reverter. E vamos perder de muito", completou. Sobre a Fifa, disparou, em declaração à TV Record: "É uma instituição 100% corrupta. Podemos dizer que (Blatter) é presidente do país enquanto não acabar a Copa do Mundo".

O lado do governo

Para o Ministério do Esporte, "a construção e a reforma das arenas multiuso para a Copa do Mundo trazem benefícios ao esporte e à cultura do Brasil, pois abrem novas oportunidades de negócios (potencial para elevar o PIB associado ao futebol), renovam a infraestrutura do esporte mais popular no país e garantem mais conforto e segurança aos torcedores".

O aumento do público nos estádios brasileiros no Campeonato Brasileiro é outro fator positivo ressaltado pelo ministério, valendo-se de um estudo da BDO, empresa de consultoria: "O Campeonato Brasileiro de 2013 recebeu 15% a mais de público do que em 2012 e 48% a mais de receita. Nos 380 jogos do torneio, quase 6 milhões de torcedores pagaram ingresso para ir aos jogos nos estádios. A receita com a venda de ingressos chegou a R$ 176,5 milhões, recorde histórico", aponta, ressaltando o fato de que o Estádio Nacional Mané Garrincha "teve os três maiores públicos e renda do Campeonato Brasileiro".

Por fim, questionado a respeito dos altos valores envolvidos nas reformas e construções de arenas, o órgão utiliza dados da ONG dinamarquesa Play The Game para afirmar que "o custo dos estádios no Brasil acompanha a média mundial, ficando abaixo, inclusive, de alguns estádios construídos e reformados para as Copas de 2002, 2006 e 2010, como o Saporo Dome (Japão), Cape Town (África do Sul) e Allianz Arena (Alemanha)".

O ministério também compara o investimento do Brasil para a Copa com o do governo francês para a Eurocopa de 2016: ", a preparação da França para sediar a Eurocopa 2016. Sede da Copa do Mundo em 1998, o país construirá quatro novos estádios para o torneio, com investimento de 1,093 bilhão de euros (US$ 1,54 bilhão). Cada nova arena custará, em média, US$ 386,36 milhões. No Brasil, o custo médio das novas arenas está em US$ 303,2 milhões".

Eleições nos EUA
As últimas pesquisas, notícias e análises sobre a disputa presidencial em 2020, pela equipe do HuffPost