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20/04/2014 10:39 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:23 -02

Tapetão, fator Lusa e guerra de liminares preocupam torcedores sobre futuro do Brasileirão de 2014

Estadão Conteúdo

Quando o Fluminense garantiu, na Justiça Desportiva, em 2013, a permanência na Série A do Campeonato Brasileiro, rebaixando a Portuguesa, por conta da escalação irregular do meia Héverton, da equipe paulista, na partida contra o Grêmio, na última rodada da competição, uma longa novela teve início nos bastidores do poder do futebol brasileiro.

Pesava contra o Fluminense o histórico de “tapetão”, já que, em outras oportunidades, o Tricolor das Laranjeiras deixou de cair para a Série B (1997) ou subiu para a Série A (1999) graças aos tribunais.

A despeito das evidências de que a Portuguesa de fato tem culpa no cartório, sendo merecedora da punição que ocasionou sua queda à Segundona, um enorme temor se fez presente entre torcedores dos mais distintos clubes do Brasil. Eles estão com receio de que a edição de 2014 da Série A do Brasileirão seja “bagunçada” por uma guerra de liminares protocoladas pelos clubes envolvidos no imbróglio - bem como a própria CBF.

Pois a Portuguesa realmente protagonizou, no fim de semana que abriu as disputas nas séries A e B, o primeiro ato deste impasse. Com base em uma liminar obtida por um torcedor na Justiça Comum, que devolvia a Lusa à Séria A do Brasileirão, o clube paulista abandonou a partida contra o Joinville, aos 16 minutos de jogo, em sua estreia na Série B.

O fato irritou a CBF, que garantiu que a liminar não tem valor legal, já que uma decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça) determina que a 2ª Vara Cível da Barra, no Rio de Janeiro, seja o único local apto para julgar as ações na Justiça envolvendo esse caso.

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O advogado da CBF, Carlos Miguel Aidar (que também é presidente do São Paulo), inclusive, garantiu que a Portuguesa irá perder os pontos na partida em que abandonou o gramado, e ameaçou os paulistas com a eliminação no campeonato.

“A Lusa vai perder os pontos, obviamente vai perder. Certamente terá de pagar uma bela de uma multa, e ainda corre o risco de eliminação do Campeonato. E aí teria de jogar a Série C em 2015. Mas não acho que será preciso chegar a isso”, afirmou.

A Portuguesa, por sua vez, afirma que enquanto a liminar tiver validade, não entra em campo pela Série B.

Fluminense

Enquanto o imbróglio ganha maiores proporções na Segundona, o Fluminense tenta se manter à distância do caso e dá início a sua trajetória na Série A. Neste sábado (19), o Tricolor das Laranjeiras bateu o Figueirense por 3 a 0, no Maracanã, em partida válida pela 1ª rodada da competição. O adversário catarinense, aliás, também chegou a ter sua presença na elite do Campeonato Brasileiro posta em xeque por uma liminar obtida pelo Icasa, que disputa a Série B.

Cabe ressaltar que as disputas judiciais, que pareciam página virada na história recente do futebol brasileiro, foram uma constante até o Brasileirão de 2000, chamado de Copa João Havelange. De lá pra cá, no entanto, grandes clubes, como Palmeiras, Botafogo, Grêmio, Corinthians, Vasco e Atlético-MG foram rebaixados, voltando à Primeirona no campo, sem precisar apelar para os tribunais.

O Brasileirão de 2014, porém, viu o fantasma do tapetão voltar. Por ora, o problema maior se concentra na Série B, mas dependendo do desenrolar do caso protagonizado pela Portuguesa, mudanças poderão ocorrer na elite do futebol brasileiro.

Fica, então, ainda que de forma discreta, a questão: vai ter Brasileirão?