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20/04/2014 16:28 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:23 -02

O que a França pode ensinar ao resto do mundo sobre viver bem

MundusImages via Getty Images

A verdade é que os franceses não proibiram o e-mail depois das 18 horas, como a mídia relatou apressadamente faz uns dias. O que acontece é que este acordo de trabalho, que foi super mal interpretado - com otimismo, né? -, só se aplica a um pequeno grupo de profissionais independentes, que, devemos mencionar, já podem chegar a trabalhar legalmente até mais tempo que o normal - 13 horas por dia!. É um contrato flexível de trabalho.

Mas a ideia de limitar a conectividade pessoal ao horário de trabalho ainda é boa, considerando que basicamente não há um caminho mais rápido para o esgotamento do que nunca se desconectar.

E não é a única maneira como os franceses demonstram seu apreço pela "belle vie". Aqui estão algumas coisas que todos poderíamos aprender com eles!

Uma coisa de cada vez

O presidente François Hollande recentemente proibiu os telefones celulares nas reuniões de gabinete, para garantir que os ministros prestem atenção. "Cada um de nós agora terá de falar e escutar tudo o que é dito e não poderá mais usar essa ferramenta magnífica", disse à imprensa o porta-voz do governo Stéphane Le Foll, segundo o jornal inglês "The Guardian".

A maioria das pessoas -- franceses ou não -- provavelmente se considera muito boa em multitarefas, mas você não engana ninguém com aquela triste tentativa de escrever uma mensagem embaixo da mesa. A prática de várias tarefas ao mesmo tempo na verdade nos torna menos eficientes e mais estressados -- e pode prejudicar nossa memória.

A semana de trabalho francesa é de 35 horas

Pelo menos na teoria. Sim, a semana de trabalho de 35 horas está legalmente nos livros, mas na prática os trabalhadores na França tendem a receber horas extras, relatou a BBC. "É verdade que as 35 horas criaram essa falsa ideia de que os franceses não trabalham muito", disse à BBC um trabalhador francês que pediu para ser citado apenas como Olivier. "A ideia pega na mente das pessoas. Mas não é uma realidade."

Como empregados em todo o mundo, muitos franceses têm trabalhado mais em uma economia em dificuldades, relatou a agência Reuters. Mas preferimos muito a ideia de uma semana de trabalho de 35 horas do que o estereótipo de uma que dure cem horas.

Eles não têm medo de carboidratos

Você não sabe o que é viver enquanto não tiver comido uma baguete francesa saindo do forno de uma boulangerie. Confie em nós. Para não falar que uma dieta com carboidratos a menos pode seriamente prejudicar seu humor.

A educação superior é acessível

Como a maioria das grandes universidades na França é pública, as inscrições variam de cerca de US$ 250 por ano acadêmico para subgraduados até US$ 525 por ano para estudantes de doutorado, segundo a Agência para Promoção da Educação Superior da França. (As escolas de administração e engenharia, assim como as escolas privadas e as famosas "grandes escolas", podem ser muito mais caras.) Enquanto outros governos cortaram as verbas nos últimos anos, a França prometeu aumentá-los, reforçando os gastos em educação superior em 5,3% de 2009 para 2010, segundo a revista "Times". Não apenas a educação enriquece a vida profissional e intelectual das pessoas, como parece ajudá-las a tomar decisões mais saudáveis e a viver até nove anos a mais, segundo um relatório dos Centros de Controle de Doenças dos EUA.

Eles não levam comida pra viagem

Não existe Starbucks no metrô para o trabalho ou terminar o café da manhã enquanto se corre para a porta. Pode parecer simples, mas os franceses encontram tempo para sentar-se para comer -- o que faz uma diferença enorme quando se trata de comer conscientemente. Encontrar tempo para sentar-se e comer nos ajuda a monitorar exatamente o que estamos ingerindo (o que por sua vez pode promover a perda de peso ou a manutenção de um peso saudável), enquanto nos dá a oportunidade de saborear cada pedaço.

Eles levam as férias a sério

Os trabalhadores franceses têm 30 dias de férias pagas por ano, e os dias de férias começam a contar assim que eles são contratados, relatou o site 24/7 Wall St.. Eles também tiram os 30 dias, relatou a Expedia, muitas vezes no mês de agosto, como a maior parte da Europa. Sabemos que não precisamos convencê-lo de que as férias, na teoria, são boas, mas os trabalhadores americanos precisam de alguém que os convençam a realmente tirá-las: o trabalhador americano médio usa apenas 51% de suas férias pagas, segundo uma pesquisa da Interactive.

A França quer ajudar os pais a criar os filhos

Um amplo leque de serviços para crianças são completamente cobertos pelo Estado. Há subsídios do governo para cuidadores de crianças em casa e benefícios em dinheiro para grandes famílias. Na prática, o sistema de assistência à criança na França pode nem sempre funcionar suavemente, segundo os críticos, mas a intenção é boa: "Os franceses nem sempre sabem como, mas eles têm o resultado, e fazem isso há mais de um século", escreve Pascal-Emmanuel Gobry para a "Forbes". O governo francês pretende melhorar o processo seletivo para matricular uma criança em uma creche -- criando 275 mil "soluções adicionais de assistência à criança" até 2017, segundo o site da União Europeia.

Os franceses abraçaram as uniões civis no lugar do casamento

Em 1999, a França criou um sistema de união civil para abordar o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Mas os casais de sexos diferentes rapidamente adotaram o Pacto Civil de Solidariedade, o PAC: 95% dos casais que assinaram um contrato de união civil em 2009 eram heterossexuais, relatou o "New York Times".

Apesar do índice de casamentos estar em constante declínio na França, "fazer o PAC" rapidamente ganhou popularidade, até que houve duas uniões civis para cada três casamentos no país, segundo o "Times".

"Tem um ar de independência social ligado ao tradicional acordo que os franceses chamam de 'união livre', mas com grandes vantagens financeiras e outras", reportou o Washington Post". "Também é muito mais fácil sair dele que do casamento." Seja simplesmente por motivos fiscais ou mais como um teste do casamento, as uniões mais permanentes têm notáveis benefícios para a saúde, incluindo uma vida mais longa.