NOTÍCIAS
18/04/2014 13:07 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:23 -02

Para resolver impasse de Pasadena com Petrobras, Astra acionou até irmão de John Kennedy, diz revista

Fábio Motta/Estadão Conteúdo

Executivos da empresa belga Astra buscaram de várias maneiras um acordo com a Petrobras, antes da estatal brasileira ser obrigada pela Justiça americana a pagar US$ 1,2 bilhão pela refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. A informação foi publicada em reportagem da revista Época desta sexta-feira (18). Até mesmo o senador Ted Kennedy, morto em 2009 e irmão do ex-presidente americano John Kennedy, foi acionado para interceder no caso.

Segundo a revista, em julho de 2009 o quadro já era desfavorável para a Petrobras em seu negócio pela refinaria, que fora comprada anteriormente pela Astra por R$ 42,5 milhões, e que já custava à Petrobras US$ 639 milhões. Executivos da empresa belga estariam interessados em um acordo para pôr fim à disputa judicial, mas o chefe do Jurídico Internacional da estatal, o advogado Carlos Borromeu, teria convencido o conselho, presidido pela então ministra-chefe da Casa Civil e atual presidente Dilma Rousseff, de que era preciso seguir na briga judicial.

Mesmo com grande chance de ser derrotada na Justiça americana, de acordo com a Época, a Petrobras seguiu em litígio com a Astra, já tendo pago até ali US$ 3,9 milhões em honorários aos advogados a serviço da estatal. O presidente da estatal brasileira na ocasião, José Sérgio Gabrielli, aprovou a continuidade do processo, o qual a Petrobras acabaria perdendo, tendo de pagar o US$ 1,2 bilhão pela refinaria de Pasadena.

LEIA TAMBÉM

Ex-diretor da Petrobras contesta Dilma sobre a compra de refinaria

CPI do "Fim do Mundo": entenda a novela da Petrobras e conheça as personagens da trama

Petrobras: falta de transparência faz corrupção migrar para estatais no Brasil, diz Contas Abertas

Segundo a revista, tanto o então diretor internacional da Petrobras na época, Nestor Cerveró – apontado como responsável pelo “relatório falho” que Dilma usou para aprovar a compra da refinaria – quanto o ex-diretor de abastecimento da empresa, Paulo Roberto Costa – este preso no mês passado na Operação Lava Jato da Polícia Federal –, eram contrários à continuidade da discussão judicial.

Contrários aos advogados da Petrobras também estavam técnicos da estatal, que tentaram alertar o conselho para a alta possibilidade de derrota na Justiça americana. Nem mesmo uma suposta oferta de US$ 70 milhões, feita pela Astra a empresários e lobistas, para pôr fim ao imbróglio, teve êxito, assim como uma carta enviada pelo senador Ted Kennedy, pedindo um acordo pelo bem da relação entre os dois países. A situação culminou na derrota da estatal e a necessidade de pagar bilhões pela refinaria.

CPI no Congresso deve ganhar corpo após o feriado

Na próxima semana, o Congresso Nacional finalmente deve definir os rumos da CPI que vai investigar a Petrobras. Depois da leitura dos dois requerimentos – um da base governista, outro da oposição –, é grande a expectativa pela decisão da ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), acerca de qual CPI deve ser considerada: uma exclusiva sobre possíveis irregularidades na estatal (como quer a oposição), ou uma mais ampla, englobando ainda os possíveis carteis do metrô em São Paulo e Distrito Federal, além de apurar desmandos no Porto de Suape (PE), como pede o governo federal.

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), já sinalizaram pela CPI “combo” da Petrobras, mas defendem que o caso aguarde a decisão do STF. Aprovada uma ou ambas as CPIs, deverá ter início a discussão sobre a composição do comando das investigações. Na Câmara dos Deputados, os parlamentares também aguardam uma posição do Supremo. As duas CPIs possuem assinaturas suficientes para serem abertas, o que significa dizer que as duas Casas do Congresso devem atuar nos trabalhos, de maneira mista.