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17/04/2014 16:15 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:23 -02

Caso André Vargas: ao voltar atrás na renúncia, deputado enrolado abre brecha para ser expulso

Juliana Knobel/Frame/Estadão Conteúdo

Os caciques do PT ainda não se conformam com a decisão do deputado licenciado André Vargas (PT-PR) em não renunciar ao mandato na Câmara. Se no início da semana o cenário era de “fim da sangria”, o atual apresenta uma “novela” que tende a ter mais capítulos nas próximas semanas. Tudo atrelado ao governo federal e ao cenário eleitoral. E agora?

Em entrevista à Rádio Estadão na manhã desta quinta-feira (17), o deputado federal Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, líder petista na Câmara, voltou a falar sobre a delicada situação de Vargas, que é investigado pelo Conselho de Ética da Casa pelo seu envolvimento com o doleiro Alberto Yousseff, preso no mês passado pela Polícia Federal na Operação Lava Jato.

Vicentinho foi um dos que sugeriu que o folclórico deputado petista, que causou outro constrangimento ao demorar dias para oficializar a sua renúncia da vice-presidência da Câmara, renunciasse também ao mandato. É curioso pensar que Vargas “não sabia” que renunciar agora, com o processo em andamento no Conselho de Ética, não lhe salvaria da cassação e de perder os direitos políticos por oito anos. E ele era o vice-presidente da Casa.

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“Ele fala que quer ter o direito de ser ouvido. Se renunciar, ele não teria mais esse direito. A decisão só cabe a ele”, disse Vicentinho, em tom resignado. Entretanto, a ofensiva petista de isolar e pregar abertamente a renúncia de Vargas não cessou e deve continuar dentro da legenda. O deputado paranaense já foi ouvido por uma comissão interna do PT e caberá ao presidente da sigla, Rui Falcão, decidir pela abertura ou não de uma comissão de ética do partido. O cenário, ao que parece, já está posto.

“Eu acho que vai abrir”, comentou Vicentinho à Rádio Estadão. Na terça-feira (22), Falcão enviará o relatório com a sugestão dos três integrantes - Alberto Cantalice, Florisvaldo de Souza e Carlos Henrique Árabe - aos demais membros da Executiva Nacional, que decidirá sobre o encaminhamento à comissão de ética. Também na terça, Falcão deverá decidir a data em que convocará o próximo encontro do colegiado. Se renunciar antes, Vargas evitará o processo contra ele na comissão de ética do partido. Se ele ficar sem mandato, o caso não caberia mais à Executiva Nacional, e poderia ser extinto ou enviado à Londrina (PR), onde Vargas é filiado e onde controla parte do partido.

O que incomoda e muito aos caciques do PT é ter de lidar com o caso de André Vargas em meio ao turbilhão envolvendo a CPI da Petrobras, algo com maior poderio de artilharia para a oposição. No início do mês, o vice-líder do PSDB na Câmara, deputado Nilson Leitão (MT), já adiantou ao Brasil Post que a única forma do caso do petista sair do cenário político e eleitoral era justamente com a renúncia dele ao mandato. Na época o próprio PT esperava por isso, por esse “sacrifício”. Ele não veio e agora parece já ter pouca relevância, já que o Conselho de Ética deve concluir os seus trabalhos até julho, antes do recesso parlamentar, possivelmente sugerindo a cassação de Vargas, que tem o seu direito de defesa garantido dentro das investigações.

O constrangimento para o PT incomoda e muito, conforme já disseram Vicentinho e Falcão. Mas não são só eles. Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) disse que o envolvimento do petista com Yousseff “não encontra justificativa”, muito embora ela adote o discurso oficial de que a decisão pela renúncia é “de foto íntimo”. Na luta pelo governo do Paraná, na qual ela terá o atual governador Beto Richa (PSDB) e o senador Roberto Requião (PMDB) como adversários, qualquer munição contrária deve ser eliminada.

Na estratégia de diminuição dos prejuízos, o tempo ditará quanto estrago aos petistas o caso André Vargas ainda pode fazer. Certo mesmo

(Com Estadão Conteúdo)