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13/04/2014 11:51 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:23 -02

ONU exige ação mais rápida para limitar avanço do aquecimento global

AP

Uma ação mais rápida é necessária para limitar o aquecimento global a limites estabelecidos e atrasos até 2030 podem levar à dependência de tecnologias para extrair gases de efeito estufa do ar, afirmou um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) divulgado neste domingo (13). Caso contrário, pode ocorrer um aumento considerado catastrófico de 3,7ºC a 4,8ºC antes de 2100.

O estudo, com base na obra de mais de mil especialistas, disse que uma substituição de combustíveis fósseis por energia de baixo carbono como a eólica, solar ou nuclear é acessível e implicaria a redução de apenas 0,06% do crescimento econômico mundial anual.

"Temos uma janela de oportunidade na próxima década, e, no máximo, nas próximas duas décadas" para agir a custos moderados, disse Ottmar Edenhofer, co-presidente de uma reunião em Berlim do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês). "Eu não estou dizendo que é sem custo. Eu não estou dizendo que a política do clima é um almoço grátis. Mas é um almoço que vale a pena comprar", disse Edenhofer.

O relatório, endossado por governos, tem como objetivo ser o principal guia científico para as nações que trabalham em um acordo das Nações Unidas. Ele deve ser assinado no final de 2015 para conter as emissões globais de gases de efeito estufa, que atingiram repetidamente novos recordes, guiadas pelo crescimento industrial da China.

Governos se comprometeram a limitar o avanço da temperatura a, no máximo, 2ºC até o final do século para evitar cada vez mais ondas de calor, inundações, secas e elevação do nível do mar, que, segundo o IPCC, estão ligados ao aquecimento artificial provocado pelo homem. Cerca de 80% dos lançamentos ocorridos entre 2000 e 2010 vieram da queima de combustíveis fósseis ligados à geração de energia e à indústria.

Cenários do IPCC mostraram que as emissões globais de gases de efeito estufa devem atingir o pico em breve. Por isso, exigem medidas rápidas. Até 2050, o setor de energia deve reduzir a emissão de CO2 em cerca de 40% a 70% dos níveis de 2010. Isto deve contribuir para que ela fique próxima de zero até 2100, mantendo a alta das temperaturas abaixo de 2ºC.

Entretanto, tais cortes são muito mais profundos do que a maioria dos governos está planejando. "Uma mitigação ambiciosa pode até exigir a remoção de dióxido de carbono da atmosfera", disse o IPCC. Atrasos em medidas para reduzir as emissões até 2030 forçariam um uso muito maior dessas tecnologias, mostrou o resumo de 33 páginas do documento divulgado para formuladores de políticas públicas.

Impactos futuros...

Se o corte substancial das emissões não for adotado com urgência, populações pobres das regiões costeiras podem sofrer com o aumento do nível do mar e insegurança alimentar decorrente do aumento da temperatura, afirma a segunda parte do relatório. Além disso, países das áreas tropicais da África, América do Sul e da Ásia devem registrar alagamentos causados pelo excesso de tempestade.

Em entrevista ao G1, José Marengo, pesquisador do Centro de Ciência do Sistema Terrestre, ligado ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e um dos autores do novo capítulo elaborado pelo IPCC, disse que o sudeste deve ser a região brasileira mais afetada pelas enchentes e deslizamentos de terra com o aumento das chuvas no futuro.

O Brasil precisa agir

Para contribuir com a redução, o país terá que investir menos nas termelétricas e mais nas fontes renováveis para a geração de energia. "Se a direção é descarbonizar, estamos indo ao contrário", disse Suzana Kahn Ribeiro, vice-presidente do grupo de mitigação do IPCC e também autora do novo capítulo, ao G1. Segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), o uso da energia térmica no Brasil aumentou 11% entre fevereiro de 2013 e 2014.

(Com informações da Reuters)