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11/04/2014 16:35 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:23 -02

Diretora de Pesquisas deixa IBGE após decisão sobre Pnad

Lucas Lacaz Ruiz/Estadão Conteúdo

A suspensão das divulgações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) para revisão da metodologia fez a diretora de Pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Marcia Quintslr, pedir exoneração do cargo.

Segundo o IBGE, Marcia discordou da decisão anunciada pela presidente Wasmália Bivar de interromper as divulgações até janeiro do ano que vem para concentrar esforços em uma revisão metodológica que pudesse fornecer uma renda domiciliar per capita mais precisa para servir como base para o rateio do Fundo de Participação dos Estados.

O IBGE informou que Wasmália e membros do conselho do instituto consideraram que seria arriscado manter funcionários mobilizados na divulgação em vez de concentrar o foco na revisão metodológica, sob pena de não conseguir as exigências previstas da Lei Complementar nº 143/2013. O instituto deve assegurar que a pesquisa gere uma renda per capita domiciliar anual (e não apenas pontual, referente a um mês no ano, como ocorre na Pnad convencional) e que a margem de intervalo seja a mesma para todas as unidades da Federação.

A próxima divulgação da Pnad Contínua, que estava prevista para o dia 3 de junho, foi cancelada. A pesquisa só voltará a ser divulgada em 6 de janeiro de 2015. Marcia estava à frente da Diretoria de Pesquisas, considerada a mais importante do IBGE, desde 2011.

A polêmica no IBGE surge poucos dias após o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) ter admitido dois erros na pesquisa Tolerância social à violência contra as mulheres, que teve grande repercussão no país com o movimento #eunãomereçoserestuprada.

Decisão irrevogável

A presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Wasmália Bivar, afirmou nesta sexta-feira que não há possibilidade de voltar atrás na decisão de suspender as divulgações da (Pnad Contínua, mesmo diante da ameaça de debandada de 18 coordenadores e gerentes responsáveis por indicadores importantes, como o IPCA e a taxa de desemprego no País.

"Essa decisão não foi de vontade, foi uma reação ao fato de termos descoberto que a lei que achávamos que tínhamos até janeiro de 2016 para atender descobrimos agora muito recentemente que teremos que atender em janeiro de 2015. Ou seja, nos foi tirado um ano de trabalho do nosso cronograma", apontou Wasmália.

Wasmália e mais cinco entre os oito membros do conselho do IBGE consideraram que seria arriscado mobilizar o corpo técnico para as divulgações da Pnad Contínua até o fim do ano em vez de concentrar o foco na reformulação metodológica que permita gerar um resultado mais preciso sobre a renda domiciliar per capita nas Unidades da Federação. As duas integrantes do conselho que discordaram da decisão pediram exoneração de seus cargos: Marcia Quintslr, diretora de Pesquisas do IBGE, e Denise Britz do Nascimento Silva, coordenadora-geral da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence).

"É uma pesquisa que ainda está nascendo, ela não pode já nascer sob o peso de contestações", avaliou Wasmália. Ela chamou atenção para o fato de que o dado precisa ser anual (e não apenas pontual, referente a um mês no ano, como ocorre na Pnad convencional), com informações já em janeiro de 2015.

"Junto com isso veio uma demanda que consideramos pertinente que é questão da equalização dos intervalos da amostra entre os Estados, porque se isso não acontecer vai ocorrer que os Estados vão contestar essas estimativas", lembrou a presidente.

A próxima divulgação da Pnad Contínua, que estava prevista para o dia 3 de junho, foi cancelada. A pesquisa só voltará a ser divulgada em 6 de janeiro de 2015.