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10/04/2014 14:21 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:23 -02

Rio 2016: atrasos em obras fazem COI ligar o alerta

Divulgação / Site Oficial Rio 2016

Acabou a paz. Greve de trabalhadores, atraso em obras, críticas de dirigentes, cogitação de um “plano B” para algumas sedes dos Jogos Olímpicos e intervenção do COI fizeram com que o sinal de alerta fosse, definitivamente, ligado pelo comitê organizador local do Rio 2016.

Em reunião da Associação das Federações Internacionais Olímpicas de Verão, em Belek, na Turquia, nesta terça-feira, o presidente da entidade Francesco Ficci Bitti, disparou contra o Comitê Organizador do Rio 2016. “Trata-se da situação mais crítica de uma preparação nos últimos 20 anos, pelo menos”, afirmou.

Apesar do COI (Comitê Olímpico Internacional) se mostrar explicitamente contra a mudança de sede de alguns esportes, há a pressão de algumas Federações Internacionais, como a de handebol, por essa alteração. Bitti, no entanto, descartou essa possibilidade: “Ainda não estamos nesse nível”.

O encontro entre mandatários de federações internacionais trouxe críticas pontuais à organização do Rio 2016 e à própria cidade que sediará o evento. A poluição na Baía de Guanabara, por exemplo, causa preocupação à Federação Internacional de Vela, ao passo que a mortandade de peixes na Lagoa Rodrigo de Freitas foi lembrada pelo representante da Federação Internacional de Remo. No total, 27 federações cobraram medidas mais duras do COI com o Rio 2016 - a exceção ficou por conta da Federação Internacional de Vôlei, comandada pelo brasileiro Ary Graça Filho.

Thomas Bach, presidente do COI, que vinha adotando um tom otimista quanto aos preparativos para os Jogos do Rio, nesta quarta-feira, se mostrou mais apreensivo. “Já disse em janeiro que nenhum dia poderia ser perdido. Há poucas semanas, nossa comissão visitou o Rio e disse que nenhuma hora poderia ser perdida. Compartilhamos as preocupações. Chegou o momento de agir”.

Para tentar agilizar o andamento das obras, o COI decidiu criar grupos de trabalho para acompanhar o trabalho dos operários envolvidos na construção das sedes das Olimpíadas. Hoje, o diretor-executivo dos Jogos Olímpicos do COI, Gilbert Felli, foi anunciado como "interventor" da entidade no comitê organizador local.

Greves

Duas greves afetaram o andamento das obras. Uma dos trabalhadores de construção leve, que interromperam as obras no Parque Olímpico da Barra no último dia 1º de abril, sendo encerrada nesta quarta-feira à noite, com os trabalhadores retomando as obras hoje, e outra dos trabalhadores de construção pesada, que teve início na segunda-feira (7) e conta com cerca de 25 mil operários em todo o Rio de Janeiro, fazendo com que importantes obras como a Linha 4 do Metrô, a Transolímpica, a Transcarioca, o Engenhão e o Porto Maravilha ficassem paradas.

Presente, nesta quarta-feira, ao lado de Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), a uma videoconferência com oito integrantes do Comitê Executivo do COI, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB) rebateu as críticas de Bitti e demonstrou desconhecimento da importância do italiano como personagem do alto escalão do esporte mundial.

“Ele é o presidente de uma federação de tênis, que não falou em nome do COI. Por acaso o estádio dele está plenamente no cronograma. Eu discordo totalmente desta avaliação”, afirmou Paes, desconhecendo o fato de que, além de presidente da Federação Internacional de Tênis, Ritti também é o mandatário da Associação das Federações Internacionais Olímpicas de Verão, além de ser membro da Comissão de Coordenação do COI para os Jogos de 2016.

Paes, também, em um surto de arrogância, também cravou: “O importante na Olimpíada sou eu. Não sei se sou muito autocentrado, mas é o prefeito quem assina o compromisso”. O comentário foi quando questionado sobre a saída de Maria Silvia Bastos Marques da presidência da Empresa Olímpica Municipal (EOM).

Matriz de Responsabilidades dos Jogos Olímpicos de 2016

A empresa, assim como o Ministério do Esporte, garante que as obras estão dentro do prazo, a despeito das críticas e das greves de trabalhadores que acontecem atualmente no Rio. O complexo de Deodoro, que receberá oito modalidades nos Jogos, no entanto, é uma dor de cabeça para Paes.

A prefeitura do Rio assumiu a execução das obras, antes a cargo dos governos Estadual e Federal, em agosto. Os editais para obras nas arenas a serem construídas no local, no entanto, serão publicados apenas no próximo dia 16 de abril.

Paes também afirmou que o restante da Matriz de Responsabilidades dos Jogos Olímpicos de 2016 será publicado até a semana que vem. A primeira parte da matriz foi divulgada pela Autoridade Pública Olímpica (APO) em janeiro e contemplava 24 obras de instalações voltadas exclusivamente para a realização da Olimpíada.

Serão divulgadas, agora, as responsabilidades da União, do Estado e do Município para 28 obras de infraestrutura, como modernização do aeroporto internacional, intervenções de mobilidade urbana, entre outras.

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