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09/04/2014 08:38 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:23 -02

CPI do "Fim do Mundo": entenda a novela da Petrobras e conheça as personagens da trama

Ricardo Trida/AE

Quem vai investigar as denúncias envolvendo a Petrobras, na já apelidada CPI do “Fim do Mundo”? Novamente, a decisão foi adiada no Congresso Nacional. Em comum entre governistas e oposicionistas, apenas a postura de acusar o outro lado de buscar esconder aquilo que lhe interessa. No mais, cada lado tratou de, mais uma vez, defender com unhas e dentes o seu ponto de vista.

O senador Romero Jucá (PMDB-RR) foi indicado como relator na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado. O seu trabalho era analisar os dois requerimentos para abertura de CPIs – para investigar a Petrobras (no caso da oposição) ou para apurar irregularidades em outros setores, como os metrôs de SP e DF e o Porto de Suape (PE), como quer a base governista. No final, ele acolheu o pedido da base, como já era esperado.

Satisfeito, o líder do PT, senador Humberto Costa (PE), reforçou que a investigação da Petrobras está garantida na CPI mais ampla, acolhida pela CCJ. Já a oposição não aceitou a decisão e aposta todas as suas fichas no pedido feito para o Supremo Tribunal Federal (STF), a fim de garantir que a CPI exclusiva da Petrobras saia do papel.

“Qualquer decisão tomada aqui [na CCJ] é ilegítima. Preenchidos os requisitos, a instalação é direta, não tem conversa. Querem enterrar a CPI da oposição”, atacou o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP).

O tucano é apenas uma das várias personagens envolvidas na “novela” que se tornou o assunto no Congresso Nacional. O Brasil Post listou alguns dos principais nomes que, de alguma forma, possuem papel de destaque nessa disputa. Confira!

Galeria de Fotos As personagens da CPI da Petrobras Veja Fotos

Entenda como tudo começou

A discussão sobre a Petrobras em Brasília começou após reportagem do jornal O Estado de S. Paulo revelar, em março, que a presidente Dilma Rousseff apoiou em 2006 a compra de 50% das ações da refinaria Pasadena, nos Estados Unidos, na posição de presidente do conselho de administração da Petrobras. A companhia acabou tendo que adquirir 100% das ações e desembolsou US$ 1,2 bilhão pelo negócio. Em 2005, a refinaria havia sido adquirida pela empresa belga Astra por US$ 42,5 milhões. O negócio levanta suspeitos por indícios de superfaturamento.

No mesmo dia da divulgação da notícia, o Palácio do Planalto fez uma nota de esclarecimentos em resposta à reportagem. Segundo o comunicado, o aval de Dilma à compra de Pasadena foi baseado em documento "técnica e juridicamente falho", que omitia cláusulas importantes. Entre elas, a cláusula Put Option que obrigava a aquisição de 100% da refinaria em caso de desacordo entre os sócios.

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto da Costa, preso pela Polícia Federal na Operação Lava Jato, que desbaratou um esquema de lavagem de dinheiro, era representante do comitê de proprietários de Pasadena. A presidente da estatal, Graça Foster, disse que desconhecia a existência de tal comitê.

O aval de Dilma a um mau negócio, o rombo da Petrobras por causa de Pasadena e ainda a prisão de um ex-executivo da estatal são ingredientes que a oposição no Congresso vem querendo explorar com a CPI da estatal. A base governista contra-atacou com a sugestão de não investigar apenas a Petrobras, mas também os supostos carteis do metrô em São Paulo e no Distrito Federal, além da relação entre o Porto de Suape (PE) e a refinaria Abreu e Lima.

A movimentação foi uma resposta aos pré-candidatos à Presidência, Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB), que querem capitalizar com a exposição negativa que uma CPI possa causar ao governo Dilma. Por ora, o Palácio do Planalto aparece em vantagem na discussão, pelo menos até a questão ser definida na CCJ do Senado e ser analisada no Plenário da Casa. Não se pode esquecer de que a ministra Rosa Weber, do STF, relatora da matéria, pode ter papel importante na discussão, embora não exista um prazo para uma decisão.

Tão logo a questão se defina no Senado – se apenas uma CPI ou ambas vão funcionar –, o tema deverá ser debatido na Câmara dos Deputados, onde também existe a perspectiva de divergências acerca da abertura de uma ou duas CPIs sobre o assunto.