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08/04/2014 09:36 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:23 -02

Avião desaparecido: um mês após sumiço, solução do mistério permanece longe

AFP via Getty Images
This shadow of a Royal New Zealand Air Force P3 Orion aircraft is seen on low cloud cover while it searches for missing Malaysia Airlines flight MH370, over the Indian Ocean on March 31, 2014. No time limit will be imposed on the search for MH370 because the world deserves to know what happened, Australian Prime MinisterTony Abbott said, as a ship equipped to locate the plane's 'black box' prepared to set sail. AFP PHOTO / POOL / Rob GRIFFITH (Photo credit should read ROB GRIFFITH/AFP/Getty Images)

Nesta terça-feira (08), o desaparecimento do avião da Malásia completa um mês, enquanto as chances de encontrar a caixa-preta da aeronave são cada vez menores. É que as baterias da caixa-preta têm uma vida útil de 30 dias, e, se já não acabaram, estão prestes a terminar.

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Um veículo de pesquisa robótico deve ser enviado ao fundo do oceano Índico nesta terça para procurar destroços do avião desaparecido no leito marinho. No entanto, o chefe da agência australiana que coordena a busca pelo avião da Malaysia Airlines, Angus Houston, disse que a busca havia chegado a uma fase crítica.

Um navio australiano que captou sinais consistentes com os que são disparados por caixas-pretas de aeronaves no fim de semana não havia registrado quaisquer outros sinais, disse Houston. "O localizador (da caixa-preta) tem uma vida útil de 30 dias e estamos agora em cima deste prazo e, como consequência, há uma chance de que o localizador esteja prestes a cessar a transmissão, ou já deixou de transmitir", disse Houston à rádio Australian Broadcasting.

Houston afirmou que a chance de encontrar qualquer coisa na superfície diminuiu muito devido às fortes correntes e a um ciclone que passou pela área na semana passada.

Causas

As caixas de dados registram dados da cabine e podem dar respostas sobre o que aconteceu com o avião, que levava 227 passageiros e 12 tripulantes quando desapareceu em 8 de março e voou milhares de quilômetros fora de sua rota de Kuala Lumpur a Pequim.

As autoridades não descartaram a possibilidade de problemas mecânicos como causa do desaparecimento do avião, mas dizem que as evidências, incluindo a perda de comunicação, sugerem que a aeronave foi deliberadamente desviada.

Um equipamento rebocável da Marinha dos Estados Unidos, que tem rastreado uma área de 1.680 quilômetros a noroeste de Perth, colheu dois sinais sonoros no fim de semana - o primeiro por mais de uma hora e o segundo por 13 minutos.

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Houston disse que o navio australiano Ocean Shield ainda estava puxando o equipamento num esforço de recuperar o contato, mas que provavelmente vai acelerar para remover o aparelho e baixar um veículo submarino autônomo chamado Bluefin-21.

O Bluefin irá vasculhar o fundo do mar em missões de 20 horas utilizando um sonar na tentativa de encontrar o Boeing 777 que operava o voo MH370. As suas descobertas serão analisadas a bordo do Ocean Shield.

Se nada de anormal for detectado, o sonar a bordo do veículo robótico será substituído por uma câmera potente para obter uma visão mais próxima do local. A área de pesquisa potencial tem profundidade de 4,5 quilômetros, a mesma de alcance do Bluefin.

O ministro interino dos Transportes da Malásia, Hishammuddin Hussein, disse a jornalistas em Kuala Lumpur que estava "cautelosamente esperançoso" de que os sinais captados levariam a um resultado positivo em breve.

Mistério

Em um artigo publicado no The Guardian nesta terça, o historiador Philip Hoare disse que os sinais desamparados da caixa-preta nos lembram sobre a vastidão profunda do oceano. “De acordo com um cientista de alto escalão especializado em oceano com que conversei recentemente, é realmente inacreditável: ele acredita, assim como outros cientistas independentes, que os americanos sabem exatamente onde o avião caiu desde que despencou do céu, e que revelar que eles sabem disso iria colocar em perigo informações sobre operações militares e as operações submarinas cujo maior propósito é detectar objetos tão grandes quanto aviões nos oceanos - em forma de inimigos submarinos”, diz Hoare.

“Qualquer que sejam as teorias conspiratórias, que cresceram e continuarão a crescer diante do vácuo de informações sobre o mistério do MH370, essa história nos dá um recado sobre nossa ignorância total. Essas montanhas submarinas continuam a ser os lugares menos explorados na Terra, em uma área do tamanho da China, mas ainda completamente não mapeada, até agora” escreve o historiador. Aparentemente, o desaparecimento do voo MH370 se imortalizará como o mistério da Malásia.

(Com agência Reuters)