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07/04/2014 16:09 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:23 -02

'Volta, Lula' na corrida presidencial ganha fôlego com queda de Dilma nas intenções de voto

RODOLFO BUHRER/ESTADÃO CONTEÚDO

Com o inferno astral da presidente Dilma Rousseff, agravado pela mais recente pesquisa Datafolha, o responsável pela ascensão da mineira ganha força como alternativa do PT para outubro. A queda de seis pontos porcentuais de Dilma e outros dados negativos sobre ela, aferidos pelo instituto, contrastam com a persistência de popularidade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre os brasileiros.

Lula é o candidato virtual que, segundo o Datafolha, tem a menor rejeição do eleitorado. Apenas 19% dos mais de 2,6 mil entrevistados disseram que não votariam, de jeito nenhum, no primeiro presidente eleito pelo PT. Atrás dele, a segunda com menor índice de rejeição é Marina Silva, provável candidata a vice na chapa de Eduardo Campos (PSB), com 21%. Dilma, Aécio e Campos estão empatados: cada um dos três principais presidenciáveis é rejeitado por 33% dos entrevistados.

O ex-presidente também é o maior puxador de votos, entre as figuras políticas avaliadas pelo Datafolha. Segundo a pesquisa, 37% dos brasileiros votariam no candidato que Lula apoiasse. Joaquim Barbosa, Marina Silva e o também ex-presidente Fernando Henrique Cardoso influenciariam totalmente 21%, 18% e 12% dos eleitores, respectivamente.

Já 72% dos entrevistados esperam que o próximo presidente empreenda ações diferentes das de Dilma Rousseff. Esse desejo de mudança, entretanto, não é traduzido em intenções de voto para o senador Aécio Neves (PSDB) e o ex-governador Eduardo Campos (PSB). Novamente Lula é beneficiado pela disposição em mudar: 32% acham que ele é o mais preparado para um novo momento do País. Atrás dele, estão Marina (17%), a própria Dilma (16%), Aécio (13%) e Campos (7%).

Todos esses dados dão fôlego ao movimento "volta, Lula", nutrido por parcela significativa dos petistas e do empresariado. Membros históricos do PT se incomodam com o perfil pouco político da presidente, sempre considerado um quadro mais técnico, estilo gerente, a "mãe do PAC", título conferido a ela justamente por Lula, em referência ao Programa de Aceleração do Crescimento.

O deputado licenciado André Vargas (PT-PR), uma das vozes mais fortes do partido na Câmara neste ano, chegou a criticar a postura centralizadora de Dilma. Em entrevista à Folha em fevereiro, disse que a articulação política do governo era ineficiente. Ecoou o pensamento dos correligionários ao se queixar de que "não somos acionados para ajudar nessa interlocução [com os políticos]".

De acordo com o jornalista Ricardo Noblat, do Globo, o PT não defende a presidente Dilma Rousseff e Lula "só finge que a defende". Em seu blog de hoje (7), Lula e Dilma travam uma "batalha surda" pela escolha do PT na disputa presidencial. "Por ora essa é a batalha que importa", crava Noblat.

A opinião do empresariado

Além do próprio partido, o mercado vê com desconfiança cada vez maior a gestão da presidente Dilma. Qualquer queda de Dilma nas pesquisas eleitorais ou de popularidade é seguida de uma alta na Bolsa de Valores de São Paulo. Segundo a Folha desta segunda-feira (7), o padrinho de Dilma voltou a ser preferido em detrimento dela ainda em 2012.

A perspectiva é que a Ibovespa feche em alta hoje (7), justamente seguindo o efeito Dilma da pesquisa Datafolha do fim de semana.

A percepção dos empresários é de que não cola mais a imagem de gerente, que Lula tentou construir e Dilma manteve em boa parte do mandato, tendo em vista os números pouco expressivos de crescimento da economia nacional, a alta da inflação, o crescimento dos juros e, mais recentemente, a crise da Petrobras envolvendo a compra superfaturada da refinaria Pasadena, no Texas (EUA), que foi autorizada por ela enquanto presidente do conselho de administração da estatal, em 2006.