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07/04/2014 11:07 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:23 -02

CPI do "Fim do Mundo": senadores decidem sobre ampliação de investigação da Petrobras

JOEL RODRIGUES/FRAME/ESTADÃO CONTEÚDO

Os parlamentares vão decidir nesta semana se instalam uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) exclusiva da Petrobras ou uma CPI do "Fim do Mundo", como vem sendo chamada a proposta do governo de investigar, além das irregularidades na gestão da estatal, o cartel dos trens de São Paulo e as obras no porto de Suape, em Pernambuco. A oposição estuda recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir que, no Senado, a CPI foque apenas nas denúncias da Petrobras.

A estratégia do Planalto, com a CPI do "Fim do Mundo", é evitar o desgaste da imagem da presidente Dilma Rousseff. Com o escopo de investigação ampliado, sobraria também para os dois principais adversários da petista – o senador Aécio Neves (PSDB) e o ex-governador Eduardo Campos (PSB), já que as denúncias do cartel podem respingar no tucano e os problemas de Suape podem prejudicar o socialista.

"O circo está armado. A nossa alternativa está no recurso ao STF. Estamos seguros de que a Corte dará guarida ao direito das minorias", disse o líder do DEM, José Agripino Maia (RN), ao jornal O Estado de S. Paulo. "Você está vendo a maioria desvirtuar o que a minoria quer", reforçou ao Estadão o senador Pedro Taques (PDT-MT).

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), é favorável à CPI ampliada e remeteu na semana passada a decisão à Comissão de Constituição e Justiça da Casa, que vai se pronunciar sobre a constitucionalidade da CPI do "Fim do Mundo" amanhã (8). O plenário deverá votar em seguida.

Renan tentou justificar a manobra pró-Planalto em artigo na Folha de S. Paulo publicado no domingo (6). "Não compete a ele [presidente do Senado] barrar nenhuma investigação que atenda aos pressupostos da Constituição: o mínimo de assinaturas e fato ou fatos determinados", escreveu.

Em tom de ponderação, o senador vislumbra que "uma investigação política às vésperas de uma eleição" pode prejudicar os caminhos do País. "Como as decisões são colegiadas, poderá haver custos para os dois lados [governistas e oposição]."

Está claro que, se a CPI do "Fim do Mundo" passar, o circo referido por Agripino Maia vai chacoalhar o xadrez eleitoral, ao embaralhar em denúncias e críticas Dilma, Aécio e Campos no imaginário dos brasileiros.