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04/04/2014 10:00 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:23 -02

Arena Corinthians: atrasada, interditada e sem segurança, mas confirmada na Copa

Divulgação / Portal da Copa

Segue o impasse quanto à liberação das obras de montagem das arquibancadas provisórias norte e sul na Arena Corinthians, interditadas desde segunda-feira (31) pela Superintendência do Ministério do Trabalho. O embargo das obras se deu após a morte do funcionário Fábio Hamilton da Cruz, de 23 anos, que caiu de uma altura de oito metros enquanto trabalhava no local.

Nesta quinta-feira, uma reunião entre representantes da empresa Fast Engenharia, responsável pela instalação das arquibancadas móveis da Arena Corinthians, e da Superintendência do Ministério do Trabalho e Emprego (TEM) terminou sem acordo.

Para que as obras no Itaquerão possam ser retomadas, o Ministério do Trabalho pediu à Fast Engenharia que providencie: guarda-corpo para os operários, cabo de aço transversal e longitudinal, rede de proteção coletiva ou solução alternativa, comprovação de capacitação dos trabalhadores e documento de análise de risco dos trabalhadores da obra.

“Se eles não apresentarem todos, não tem liberação”, garantiu Luiz Antonio de Medeiros, superintendente do Ministério do Trabalho em São Paulo. Ao jornal Folha de S. Paulo, Medeiros deu uma declaração polêmica: “Se esse estádio não fosse da Copa [do Mundo], os auditores teriam feito um auto de infração por trabalho precário e paralisado a obra. Não vamos nem entrar nesse assunto porque vai atrasar ainda mais a obra. Falei com o ministro e ele deu o respaldo. Estamos fazendo de conta que não estamos vendo”.

Ainda na tarde desta quinta-feira, uma nova fiscalização foi realizada no estádio por representantes do Ministério do Trabalho, sob a companhia de engenheiros da Fast, na tentativa de buscarem uma solução. O principal entrave para a liberação da obra se dá em um item da lista de exigências feitas pelo ministério na terça-feira: a apresentação de um projeto de proteção coletiva aos trabalhadores.

O órgão prefere que seja instalada uma rede abaixo da área em que os operários atuam. A Fast, porém, considera esta obra complexa e difícil de ser realizada e teme que a instalação atrase ainda mais a obra. A alternativa proposta pela construtora é a instalação de torres móveis com bandejas de segurança. O parecer do Ministério do Trabalho sobre esta alternativa proposta pela Fast deve ser dado nesta sexta-feira. Mesmo depois de aprovada e instalada as torres móveis, no entanto, a estrutura ainda terá que passar por uma fiscalização para a obra ser liberada.

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Em outro campo de atuação, o Ministério Público de São Paulo ameaçou interditar as arquibancadas provisórias do estádio mesmo durante a Copa do Mundo. Após a divulgação de um laudo do Corpo de Bombeiros elencando 26 irregularidades encontradas no projeto técnico de prevenção contra incêndios da arena, a entidade exigirá que o Corinthians e a construtora Odebrecht cumpram quatro pontos considerados pelos bombeiros “emergenciais”.

São eles: estudo de fluxo de pessoas, cálculo de lotação, saídas de emergência e tempo de percurso; apresentação de novo projeto técnico de segurança contra incêndios; comprovação de que a ala leste possui área de ventilação, acabamentos específicos e sistemas de detecção de incêndio; comprovação desta última exigência na ala oeste.

A Odebrecht, em nota, respondeu: “A Odebrecht Infraestrutura e o Sport Club Corinthians Paulista informam que possuem um projeto técnico de segurança contra incêndios da obra e estudo de fluxo, ambos concluídos, e em processo de assinaturas na prefeitura. Todos os documentos já foram entregues aos bombeiros, porém após a análise do órgão foram solicitados ajustes que estão em fase final. Ainda nesta semana os documentos serão reapresentados ao Corpo de Bombeiros.”

Nesta quinta-feira (3), o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke afirmou que o Brasil “não está totalmente pronto” e mostrou preocupado com dois estádios em específico, o Beira-Rio e o itaquerão. O presidente da Fifa, Joseph Blatter também criticou as obras da Arena Corinthians, afirmando que “é preciso ter responsabilidade de dar segurança aos trabalhadores, e não fizeram isso”.

Quanto à questão do financiamento das estruturas provisórias, à princípio sob responsabilidade do Corinthians, o jornalista Juca Kfouri afirmou que a Fifa deverá pagar as obras.

Relembre os problemas surgidos na construção da Arena Itaquera, desde setembro de 2010:

Dutos da Transpetro:

Em setembro de 2010, reportagem da Folha de S. Paulo revelou que dois dutos da Transpetro, subsidiária da Petrobras, passavam por baixo da obra. Após acordo, os canos foram desviados para que a construção pudesse ocorrer.

Empréstimo do BNDES

Em março de 2012, o Banco do Brasil se recusou a participar da intermedição entre o BNDES e a Oderbrecht, construtora responsável pelas obras na Arena Corinthians. Posteriormente, a Caixa Econômica Federal assumiria a responsabilidade.

O acidente com o guindaste

No dia 27 de novembro de 2013, um grave acidente ocorreu nas obras do Itaquerão, causando a morte de dois operários, Fábio Luiz Pereira, de 42 anos, e Ronaldo Oliveira dos Santos, de 44 anos. Na ocasião, o maior guindaste em operação no país, com 114 metros de alcance, caiu sobre a arquibancada. Por causa do acidente, o prazo de entrega foi postergado de dezembro de 2013 para 15 de abril de 2014.

Nesta sexta-feira (4), reportagem da Folha de S. Paulo apontou que houve um afundamento do solo que sustentava o guindaste, fato que causou o acidente.

Encarecimento do custo do estádio

Com intermédio da Caixa Econômica federal, o BNDES libera, no dia 25 de março de 2014, a primeira parcela do empréstimo à Odebrecht e ao Corinthians. Por causa da demora, a construtora e o clube contraíram empréstimo a juros de mercado, com Santander e Banco do Brasil, o que encarece o custo fnal da arena

Financiamento das estruturas provisórias

Um impasse sobre quem deveria bancar as estruturas provisórias, pré-requisito para o Itaquerão sediar a abertura da Copa, orçadas em 60 milhões, gerou polêmica na última semana. O Corinthians logo assumiu a responsabilidade, ainda que não afirmasse como arcaria com as despesas. Nesta quinta-feira (3), o secretário executivo do ministério do Esporte, Luis Fernandes, afirmou que, apesar do imbróglio, a instalação das estruturas complementares já começou a ser feita.

Reportagem assinada por Juca Kfouri na Folha de S. Paulo nesta sexta-feira (4), porém, dá conta que será a Fifa quem irá bancar a obra.

A terceira vítima fatal

Em 29 de março de 2014, o operário Fabio Hamilton da Cruz, de 23 anos, que trabalhava na instalação das arquibancadas provisórias do estádio, sofre grave acidente, ao cair de uma altura de 8 metros, morrendo em seguida. Com o óbito, o terceiro nas obras do Itaquerão, aumenta para oito o número total de mortes em obras dos estádios da Copa.