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31/03/2014 09:24 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:16 -02

Site defende legalização do estupro e morte de gays

Reprodução

A página Realidade, criada por um usuário que se apresenta como Astolfo Bozzônio Rodriguez, vem provocando revolta nas redes sociais pelas causas que defende. O site prega a legalização do estupro e o extermínio do "homossexualismo", com a morte dos gays. A última postagem, de domingo (30), vem sendo bombardeada no Facebook por tentar justificar os resultados da pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgada na semana passada. O Ipea revelou que 65% dos entrevistados acreditam que mulher usando roupa curta merece ser atacada.

"Estuprar uma mulher é sinônimo de garra, virilidade, força e poder, além de ser um ato revolucionário de liberdade, igualdade, neutralidade e fraternidade. Um culto à masculinidade como um todo. Esse será nosso lema a partir de agora", descreve o usuário que se apresenta como doutor em psicologia social em Harvard, em meio a diversos erros de português.

Cheio de raiva, "Astolfo" tenta argumentar que as mulheres gostam de "cafajestes" e não de "virgem pega ninguém", como ele diz ser chamado por algumas. Usando imagens de mulheres mortas, o suposto PhD afirma que a culpa do estupro é da mulher com base na nada científica argumentação de que "os estímulos visuais provenientes de fêmeas mal intencionadas atravessam o globo ocular masculino e incrustam-se em seu cérebro, causando saliências em suas intimidades".

O "doutor" prossegue dizendo que "o homem tem todo o direito de projetar as suas saliências - que nele foram produzidas pela mulher - no interior dessa mulher". Ele também convida os frequentadores de seu site a assinar uma petição on-line para legalizar o estupro.

O site de Astolfo está hospedado no domínio .pw – vinculado a Repúlica de Palau, país da Micronésia, no Oceano Pacífico. O link da Realidade é http://realidade.pw. Como faz apologia a crimes, a página deve ser denunciada à Polícia Federal por meio do canal de denúncias da PF. Procurada pelo Brasil Post, a assessoria da PF diz que encaminha as ocorrências registradas pela internet ao setor responsável por crimes cibernéticos.

A Polícia Federal tem meios de chegar a usuários da rede que incitam crimes. Foi assim em março de 2012, quando prendeu dois jovens que estimulavam a violência contra mulheres, negros, nordestinos, homossexuais e judeus. Emerson Eduardo Rodrigues e Marcelo Valle Silveira Mello foram presos na "Operação Intolerância".

ATUALIZAÇÃO

A página Realidade saiu do ar. Um leitor do Brasil Post, na seção de Comentários, informa ter derrubado o site. Procuramos o internauta para saber se ele integra o Anonymous, mas não recebemos uma resposta até o momento.

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