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30/03/2014 13:48 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:16 -02

Ocupação da Maré: entenda como foi a entrada da polícia no complexo (FOTOS)

Estadão Conteúdo

No início da manhã deste domingo (30), mais de 1400 policiais entraram no complexo de 15 comunidades conhecido como Maré, na zona norte da cidade do Rio de Janeiro. O objetivo da ação é preparar a área para a instalação da 39ª UPP, mais uma das polêmicas Unidades de Polícia Pacificadoras.

Na região vivem cerca de 130 mil moradores, número que segundo o governador do Rio, Sérgio Cabral, é maior que 80% dos municípios brasileiros. A ocupação de hoje antecede o planejamento inicial de criação da UPP apenas no segundo semestre deste ano.

21 blindados da Marinha foram os primeiros a entrar nas vielas. Em seguida, ingressaram cerca de 1200 policiais militares dos batalhões de Operações Especiais (Bope), de Choque e de Ações com Cães. Toda a operação teve apoio de helicópteros da Polícia Militar, entre eles o blindado conhecido como caveirão do ar. - Estadão

Ao jornal O Globo, Cabral disse por que considera o dia de hoje histórico:

Nos últimos 40 anos, aquelas favelas estavam desamparadas pelo poder público e cresciam, cada vez mais, no entorno da Avenida Brasil, das linhas Amarela e Vermelha, do Galeão, do Fundão e com a Fiocruz bem ali em frente. Não podíamos mais tolerar esse domínio do poder paralelo. Hoje foi, sem dúvida, um dia histórico.

A Anistia Internacional e a ONG Redes da Maré estão distribuindo panfletos nas ruas para informar moradores que eles podem denunciar qualquer violência na ação, sejam ela da polícia ou do exército.

Quem também pede a coloboração dos moradores é a Secretaria de Segurança que quer receber denúncias de criminosos, esconderijos onde possam estar drogas, armas, objetos roubados e qualquer outra ilegalidade. Os telefones são o do Disque-Denúncia (21 - 2253-1177) ou o 190 da Polícia Militar.

Minutos antes da ação, a conta oficial do Governo do Rio publicou no YouTube um vídeo direcionado à comunidade explicando o que ia acontecer.

A Secretaria de Segurança do estado informou que operação durou 15 minutos e não houve disparo de nenhum tiro. Havia quem jogasse futebol enquanto acontecia a operação.

Não houve confronto na ocupação. Até as 10h50, segundo a polícia, 102 pessoas tinham sido detidas desde o dia 22, quando teve início a preparação para a operação na Maré - 89 no cerco e 13 neste domingo. Desde então, foram apreendidos 362 munições, dez revólveres, 33 pistolas, sete fuzis e cinco espingardas, alé, de duas metralhadoras e 18 granadas - G1

O secretário de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, contou ao jornal Extra que essa ação de hoje teve suas 'peculiaridades', principalmente porque existem diferentes facções que dominavam a área há anos, mas negou que a ação tenha a ver com a proximidade da Copa do Mundo.

Todas as UPPs têm sua importância estratégica, assim como a Maré, por ficar próxima de locais, como Linha Amarela, Linha Vermelha, aeroporto e Fundão. Mas a nossa proposta é de legado. Não é exclusiva para a Copa ou para os Jogos Olímpicos, mas para a população.

O Complexo da Maré faz margem com a Avenida Brasil, importante via da cidade do Rio de Janeiro por onde passarão delegações, turistas e o público que chega pelo Aeroporto Internacional do Galeão.

Em paralelo à operação, VEJA informa que agentes da Polícia Federal estão com ações em outros pontos da cidade. Eles já prenderam dois suspeitos de envolvimento com os traficantes que comandavam a região.

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