NOTÍCIAS
27/03/2014 12:39 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:16 -02

O inferno astral de Dilma em 2014: queda na aprovação, crise com PMDB e ameaça de CPI da Petrobras

SÉRGIO CASTRO/ESTADÃO CONTEÚDO

O inferno astral vivido pela presidente Dilma Rousseff desde o início de 2014 piorou com os resultados da pesquisa CNI/Ibope, divulgados nesta quinta-feira (27). O governo da petista tem atualmente o segundo maior índice de reprovação desde março de 2011 – 27%, atrás apenas de julho de 2013, quando ela enfrentou 31% de rejeição, logo após os protestos de rua que sacudiram o País. Neste ano, além da crise com seu maior aliado, o PMDB, e da ameaça da CPI da Petrobras, o Palácio do Planalto se depara com a queda na popularidade e no nível de confiança do eleitorado em Dilma.

Em todos os setores do governo federal, os índices de desaprovação batem os de aprovação. A preocupação maior, de acordo com a pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), é com a economia do País. Mais de 70% dos brasileiros rejeitam as ações do governo de combate a impostos e de controle dos juros e da inflação. A atuação do governo Dilma mais mal-avaliada é em relação aos tributos e também à saúde pública: 77% reprovam as duas áreas. No total, foram entrevistadas 2.002 pessoas de 14 a 17 de março.

A percepção dos brasileiros em relação à economia deve piorar com a alta dos preços prevista para este ano. Relatório do Banco Central, divulgado nesta quinta (27), prevê inflação oficial de 6,1% para 2014 – no ano passado, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou em 5,91%.

A avaliação positiva do governo Dilma caiu de 43%, em novembro do ano passado, para 36%, comparando a pesquisa de março com a divulgada há quatro meses. Nesse período, a quantidade de brasileiros que acham o governo ruim ou péssimo subiu de 20% para 27%. A popularidade da presidente reduziu de 56% para 51%, enquanto a reprovação do desempenho dela avançou de 36% para 43%.

Esse movimento todo preocupa o bunker da campanha de reeleição de Dilma em um momento politicamente delicado para o governo dela. A maior rebelião do PMDB, desde o início do mandato da petista, ocorreu neste ano, sob o comando do deputado federal Eduardo Cunha (RJ).

A ala rebelde do maior parceiro do PT chegou a criar um 'blocão' independente de aliados para votar contra propostas do governo. Acabou aprovando a instalação de uma comissão externa da Câmara para investigar a Petrobras sobre denúncia de pagamento de propina por uma empresa holandesa a funcionários da estatal. A crise parece ter sido debelada nesta semana, após a aprovação do Marco Civil da Internet, prioridade para o governo, pelos deputados federais.

Galeria de Fotos PT X PMDB: Crise na base governista abre ano eleitoral Veja Fotos

Ameaça de CPI

O maior risco para o governo neste momento é o da criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) também para investigar a Petrobras, mas sobre a compra de Pasadena, refinaria no Texas (EUA). O negócio tem indícios de superfaturamento – a estatal pagou US$ 1,18 bilhão pela refinaria, que custava em 2005 US$ 42,5 milhões. Na posição de presidente do conselho de Administração da Petrobras, em 2006, a então ministra Dilma avalizou o negócio, hoje considerado bastante prejudicial às finanças da companhia.

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto da Costa, preso pela Polícia Federal na semana passada em operação que desbaratou esquema de lavagem de dinheiro, era representante do comitê de proprietários de Pasadena. A presidente da estatal, Graça Foster, disse que desconhecia a existência de tal comitê.

O aval de Dilma a um mau negócio, o rombo da Petrobras por causa de Pasadena e ainda a prisão de um ex-executivo da estatal são ingredientes para a dinamite que a oposição prepara. Os senadores reuniram 28 assinaturas, uma a mais que o necessário, e protocolaram pedido para instalar a CPI da Petrobras. Na Câmara, a coleta de apoios já começou.

A CPI Mista pretende detonar diariamente a imagem de Dilma Rousseff no noticiário ao expor os problemas da Petrobras. A artilharia capitaneada pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG), adversário da petista na corrida eleitoral, visa a desconstruir a reputação de gestora eficiente que Dilma vem ostentando desde que era ministra do governo Lula.