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26/03/2014 21:48 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:16 -02

Repressão durante a Copa de 2014 deve ser evitada, dizem deputados

Joel Rodrigues/Frame/Estadão Conteúdo

Deputados cobram cuidados da segurança pública para evitar repressão a manifestações populares durante a Copa do Mundo. O tema foi discutido, nesta quarta-feira (26), em audiência pública da Comissão de Esporte da Câmara dos Deputados com representantes do Sistema Integrado de Comando e Controle, que atua nas ações de segurança pública, defesa nacional e inteligência em grandes eventos.

Além de pedir detalhes do esquema montado para a Copa, os deputados fizeram questão de ressaltar que as ações de combate ao terrorismo internacional e ao vandalismo não devem cercear o direito de manifestantes brasileiros, como sintetizou a deputada Jô Moraes (PCdoB-MG). "Essa conversa de terrorismo pode ameaçar a livre manifestação da sociedade brasileira nas suas insatisfações por educação, saúde e uma série de coisas.”

A deputada assinalou, no entanto, que é preciso diferenciar a ação depredadora, “que não interessa a nenhum setor da sociedade”, das legítimas manifestações. “A sociedade precisa deter os predadores porque é o bem público, é o seu bem, mas não pode cercear a possibilidade (de manifestação) dos demais".

Diante de estudantes da União Nacional dos Estudantes (UNE) e da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) presentes na comissão, o secretário de segurança para grandes eventos do Ministério da Justiça, Andrei Passos, garantiu que não haverá repressão a manifestações pacíficas.

"São duas grandes preocupações: a maior delas é garantir a manifestação democrática de um país livre que somos; e, por outro lado, prevenir e coibir ações violentas de vândalos e criminosos. Contra esses e para esses, temos ações próprias preventivas, de inteligência e também de atuação, caso haja necessidade".

Investimento em segurança

Andrei Passos, que coordena o Sistema Integrado de Comando e Controle, informou que o governo federal investiu R$ 1,7 bilhão nos últimos três anos para garantir a segurança durante a Copa. O trabalho será conjunto, envolvendo instituições como Polícia Federal, Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e Forças Armadas, além das Polícias Militar e Civil dos estados. Há também cooperação com órgãos internacionais.

A estimativa é que haja um efetivo de 6.711 servidores da Polícia Federal e 57 mil militares das Forças Armadas.

O assessor do Estado Maior das Forças Armadas, general Jamil Megid Júnior, explicou, por exemplo, como será a prevenção e o combate ao terrorismo. "É uma ameaça que não faz parte da conjuntura normal do Brasil, mas um grande evento possibilita esse tipo de apreensão. Há uma reunião de esforços para varreduras tanto antibombas quanto para detecção de agentes químicos, biológicos, nucleares e radiológicos. Isso será feito em todos os estádios, hotéis oficiais, centros de treinamento e outras áreas importantes. Teremos também tropas de pronta-resposta".

O aparato de segurança para a Copa passará por novos exercícios simulados ao longo de abril. O dia 23 de maio é a data-limite para que todo o esquema esteja pronto. O Exército, por exemplo, já foi acionado para reforçar a segurança no Complexo de favelas da Maré, que fica no caminho entre o aeroporto internacional e o centro do Rio de Janeiro.

Quanto ao espaço aéreo em dias de jogos, o general Megid afirmou que a intenção é adotar o menor nível de restrição possível a fim de evitar transtornos aos passageiros que estarão utilizando a aviação civil. Também haverá reforço nas defesas marítima e fluvial, sobretudo em cidades-sedes litorâneas ou que tenham grandes rios, como é o caso de Manaus.

Vão integrar o esquema de segurança para a Copa centros integrados de comando e controle nas 12 cidades-sede. Cada delegação oficial de jogadores terá acompanhamento 24 horas. Nos dias de jogos, a segurança interna das arenas é privada (os agentes nacionais agem apenas fora dos estádios; ou dentro, em caso excepcional).