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26/03/2014 09:55 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:16 -02

Presidente da Petrobras revela comitê de Pasadena com participação de ex-diretor preso e admite desconforto

RUDY TRINDADE/FRAME/ESTADÃO CONTEÚDO

A presidente da Petrobras, Graça Foster, quebrou o silêncio sobre o caso Pasadena e deu uma entrevista exclusiva ao jornal O Globo, publicada nesta quarta-feira (26).

Na entrevista, a executiva revelou que o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, preso pela Polícia Federal na semana passada, fazia parte de um comitê de proprietários de Pasadena, o que pode configurar um conflito de interesses com sua atuação na empresa brasileira.

Foster também disse que a Petrobras abriu uma comissão de apuração interna para investigar os detalhes da polêmica compra da refinaria nos Estados Unidos. A Petrobras confirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, a abertura da comissão. "Temos até 45 dias para poder nos manifestar em relação a uma série de processos que já estavam em avaliação de forma administrativa", disse Foster.

Segundo a executiva, o comitê estava acima do board (conselho de administração). "Não sei ainda se esse é um ponto que a comissão [interna da estatal, responsável por investigar o caso] está procurando, quais eram os estatutos, quais eram as atribuições, qual era o poder e onde estão as datas. Eu não sei nada", contou ao Globo.

A presidente admitiu ter sido "surpreendida" com a informação. "Eu não posso saber disso dois anos depois de estar na presidência da Petrobras", queixou-se. "Eu não posso ser surpreendida com informações que me dão o desconforto necessário para que eu busque uma comissão para apuração."

Paulo Roberta Costa foi diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras. Ele foi um dos alvos da Operação Lava Jato da PF, que investigava grande esquema de lavagem de dinheiro em todo o País. Costa foi preso após familiares terem tentado destruir provas e documentos na consultoria aberta por ele cinco meses após deixar a companhia.

A PF descobriu também que ele ganhou um carro de presente do doleiro Alberto Youssef, a principal personagem do esquema de lavagem de dinheiro que movimentou cerca de 10 bilhões de reais. Na casa do ex-diretor da Petrobras, foram apreendidos 700.000 reais e 200.000 dólares em espécie.

Costa também era investigado pelo Ministério Público Federal (MPF) no Estado do Rio de Janeiro por irregularidades na compra da refinaria de Pasadena, no Texas, pela estatal brasileira.

Apesar de todas as suspeitas que rondam Costa, Graça Foster evita fazer acusações. "Nada quer dizer que possa ter havido qualquer ato falho, negativo, prejudical à companhia. Pelo fato de ter havido esse comitê [de proprietários da Pasadena] e o Paulo [Roberto Costa] estar nesse comitê não significa que esse comitê não tenha executado as melhores práticas", opina.

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Caso Pasadena

O novo conflito do governo Dilma começou após reportagem do Estado de S. Paulo revelar, na semana passada, que a presidente apoiou em 2006 a compra de 50% das ações da refinaria Pasadena, quando era presidente do conselho de administração da Petrobras. A companhia acabou tendo que adquirir 100% das ações e desembolsou US$ 1,2 bilhão pelo negócio. Em 2005, a refinaria havia sido adquirida pela empresa belga Astra por US$ 42,5 milhões.

O Palácio do Planalto fez uma nota de esclarecimentos em resposta à reportagem. Segundo o comunicado, o aval de Dilma à compra de Pasadena foi baseado em documento "técnica e juridicamente falho", que omitia cláusulas importantes. Entre elas, a cláusula Put Option que obrigava a aquisição de 100% da refinaria em caso de desacordo entre os sócios.