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25/03/2014 10:50 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:16 -02

Familiares de passageiros do voo MH370 se revoltam contra autoridades

Kim Kyung-Hoon/Reuters

Dezenas de parentes enfurecidos de passageiros de um avião malaio desaparecido entraram em confronto com a polícia em Pequim, acusando a Malásia de "atrasos e mentiras", um dia depois de o país confirmar que o avião caiu nos distantes mares da Austrália.

Cerca de 20 dos 30 manifestantes jogaram garrafas d'água na embaixada da Malásia e tentaram invadir o prédio, exigindo se reunir com o embaixador, disseram testemunhas. Mais cedo, os parentes, muitos com o rosto coberto de lágrimas, gritaram "o governo malaio nos enganou" e "Malásia, devolva nossos parentes" enquanto marchavam pacificamente com faixas.

O luto e a fúria dos familiares foram deflagrados na noite de segunda-feira (horário local) depois que o primeiro-ministro da Malásia, Najib Razak, anunciou que o voo MH370, da Malaysia Airlines, que desapareceu há mais de duas semanas quando voava de Kuala Lumpur a Pequim, caiu no Oceano Índico.

Outra causa de revolta dos familiares foi a forma como o governo malaio os avisou sobre a morte dos passageiros: via torpedo.

Citando análise de dados de satélite feita pela empresa britânica Inmarsat, ele disse que não havia dúvida de que o Boeing caiu no oceano em uma das regiões mais remotas da Terra --uma admissão implícita de que todas as 239 pessoas a bordo morreram.

O mau tempo na região, distante da costa oeste da Austrália, forçou a suspensão das buscas por destroços na terça-feira, logo depois de uma série de imagens de satélite levantarem as esperanças de que os restos da aeronave seriam encontrados.

A confusa resposta inicial da Malásia ao desaparecimento do Boeing 777 e percepção de uma comunicação ruim enfureceram muitos familiares dos mais de 150 chineses a bordo da aeronave e estremeceram os laços entre Pequim e Kuala Lumpur.

China

Depois do anúncio de Najib, o vice-ministro das Relações Exteriores da China, Xie Hangsheng, exigiu que a Malásia entregue todas as análises de dados de satélite relevantes que mostrem como a Malásia chegou as suas conclusões sobre o destino do avião.

"Nós demandamos que o lado da Malásia torne clara a base específica a qual levou a esse julgamento", afirmou o vice-ministro de Relações Exteriores da China, Xie Hangsheng, ao embaixador da Malásia em Pequim. Até o momento, não houve resposta.

Buscas

Enquanto isso, o primeiro-ministro da Austrália, Tony Abbott, disse nesta madrugada que as buscas no local do acidente estão suspensas por causa das condições climáticas e que devem retornar o quanto antes.

O ministro da Defesa da Austrália, David Johnston, afirmou que as difíceis condições, com ondas de 20 a 30 metros de altura, significam que será improvável alguma identificação dos fragmentos da aeronave por ao menos 24 horas. Ele também declarou que enquanto os objetos não forem identificados como parte da aeronave, tudo é "virtualmente especulação".

(Com Estadão Conteúdo e Reuters)