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24/03/2014 20:15 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:13 -02

Agência de risco rebaixa nota de crédito do Brasil; Governo fica surpreso com a queda

EVARISTO SA via Getty Images
Brazilian Finance Minister Guido Mantega speaks during a press conference in Brasilia on January 3, 2014. The prospects for the Brazilian economy in 2014 are positive, boosted by investments and a recovery of exports, Mantega said. AFP PHOTO/Evaristo Sa (Photo credit should read EVARISTO SA/AFP/Getty Images)

A agência de classificação de risco Standard & Poor's rebaixou nesta segunda-feira o rating de longo prazo em moeda estrangeira do Brasil de BBB para BBB-. Agora, a perspectiva da nota é estável. Apesar do rebaixamento, o País ainda se manteve dentro do grau de investimento.

Uma equipe da S&P esteve no Brasil na semana do dia 10 de março, com o objetivo passar um pente-fino nas contas públicas e conversar com agentes do mercado, investidores e autoridades do governo. A missão, que começou por São Paulo, passou também por Brasília e Rio de Janeiro. Na ocasião, a força-tarefa da S&P participou de encontros com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e com a diretoria do Banco Central. Segundo apurado pelo Estadão, o governo se mostrou surpreso com a queda.

Avaliação

Uma combinação de fatores, que inclui a piora das contas fiscais e das contas externas, fez a Standard & Poor's (S&P) rebaixar o rating do Brasil, de acordo com a diretora responsável pelo Brasil na agência de classificação de risco, Lisa Schineller, em uma teleconferência para comentar a decisão.

A deterioração nos indicadores do Brasil vem ocorrendo nos últimos anos e minou a credibilidade do governo na condução da política fiscal, destacou Lisa na teleconferência. "A credibilidade do governo para a condução da política fiscal se deteriorou", disse ela. "Políticas econômicas mais consistentes, no lado fiscal, dando maior clareza nas contas, na trajetória da dívida", destaca Lisa, seriam fatores que ajudariam na melhora do rating brasileiro, que ficou com perspectiva "estável".

Em ano eleitoral, a diretora da S&P destaca que a capacidade do governo brasileiro de fazer ajustes em sua política fica ainda mais complicada. Lisa disse que será difícil o Brasil conseguir alcançar a meta de superávit primário de 1,9% este ano.

O Brasil vai continuar com crescimento baixo nos próximos anos, se expandindo menos que seu potencial. Para 2014, a S&P prevê expansão de 1,8% do Produto Interno Bruto (PIB). Em meio a esta projeção, as perspectivas para as contas fiscais também continuam fracas, disse ela.

Lisa lembrou que a S&P colocou a nota brasileira em perspectiva negativa em junho do ano passado e pouco mudou no País desde então. Os indicadores externos, por exemplo, continuaram a se deteriorar, destacou na teleconferência.

Para 2014, o governo anunciou uma meta de superávit primário (economiapara pagar os juros da dívida) de 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB), mesmo porcentual cumprido em 2013.

Consequências

Um dos principais fundos de índices (ETF, na sigla em inglês) do Brasil sentiu rapidamente o baque do anúncio do rebaixamento do rating brasileiro. O iShares MSCI Brazil Index, mais conhecido pela sigla EWZ, virou completamente após a notícia e, depois de subir mais de 1% durante o pregão, perde mais de 1,5% no after market.

De acordo com as cotações da Bolsa de Nova York, o ETF brasileiro era negociado às 19h (de Brasília) com queda de 1,57%. O desempenho pode ser uma amostra do comportamento da Bolsa de Valores de São Paulo amanhã.

A tendência de queda observada na última meia hora é completamente contrária ao movimento observado no pregão tradicional, antes da decisão da S&P, quando o ETF terminou com valorização de 1,18% em um movimento que acompanhou o Ibovespa. Em São Paulo, o principal índice da bolsa brasileira terminou o dia em alta de 1,29%.

Segundo os gestores, entre os papéis com maior peso no fundo de índice brasileiro estão Itaú Unibanco (7,96% da carteira), Ambev (7,91%), Petrobras (5,97%), Bradesco (5,78%) e Vale (5%).