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17/03/2014 10:47 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:13 -02

Status da Crimeia: independente e cheia de controvérsias

Andrew Lubimov/AP

A península ucraniana da Crimeia se declarou uma nação independente nesta segunda-feira depois de um referendo em que quase 97% dos votantes escolheram se separar da Ucrânia e tentar se anexar à Rússia. A decisão levou milhares de crimeianos às ruas, mas há quem acordou hasteando bandeiras da Ucrânia nesta segunda.

O correspondente do jornal britânico The Guardian conta que o taxista do carro que ele usou esta manhã em Simferopol usava uma bandeira ucraniana no veículo e lhe disse que o referendo da Crimeia era ilegítimo e que nenhum de seus amigos votou.

A turbulência na Ucrânia é a pior crise de segurança da Europa em anos e a tensão no local está alta desde que tropas russas tomaram o controle da Crimeia há duas semanas. Muitos soldados russos estão aglomerados na fronteira, além disso. Paralelamente, a União Europeia (UE) aprovou sanções contra 21 políticos da Rússia e Crimeia.

Charge circulando no Twitter simula o referendo com um soldado russo armado e as opções "Sim, a Crimeia é da Rússia" e "Não, a Crimeia não é da Ucrânia".

Segundo o Kyev Post, o maior jornal ucraniano de língua inglesa, mesmo antes do anúncio do resultado do referendo, milhares de pessoas tomaram as ruas de Simferopol, a capital da Crimeia, e celebraram a “independência”. Eles balançavam bandeiras russas e gritavam “Rússia! Rússia!”.

Criança com uma bandeira soviética é o centro das atenções em uma praça da Crimeia, segundo a correspondente da Sky News.

Vídeo do Instagram mostra comemoração na Crimeia.

Crimeianos comemoram resultados do referendo

Em outras cidades da Crimeia, como Luhansk, onde a maioria da população fala russo, houve muita comoção e preocupação com os “fascistas no poder da Ucrânia”.

“Eu sou contra a guerra, mas se os fascistas da direita vierem para cá, eu pegarei uma arma e lutarei contra eles”, disse ao jornal ucraniano Oleksandr Syvolapov, 54, que participou da comemoração em Luhansk. Pessoas como Syvolapov têm simpatia à Rússia e medo do nacionalismo ucraniano, que é associado ao fascismo devido a grupo neo-nazistas que tomaram para si os protestos #euromaidan na Praça da Independência em Kiev, que levou à queda do presidente Viktor Yanukovych do poder.

Em uma estrada na Crimeia, cartaz diz "Não deixem os fascistas vir! Todo mundo no referendo", segundo a repórter do Financial Times.

Os protestos na Ucrânia começaram com estudantes que queriam uma aproximação maior da União Europeia contra o domínio da Rússia na região, mas rapidamente grupos fascistas começaram a participar das manifestações, principalmente o Svoboda e o Pravy Sektor.

O Svoboda (“Liberdade” em ucraniano) é um partido nacionalista europeu alinhado ao Partido Nacional Britânico e a Frente Nacional da França, e possui um passado obscuro. Antigamente, esse era o Partido Social-Nacional da Ucrânia (SNPU) e tinha como logo um símbolo parecido com uma suástica. Já o Pravy Sektor (“Setor da Direita”, em ucraniano) é um dos grupos mais violentos dos protestos #euromaidan e eles gostam de enfatizar seu nacionalismo ucraniano usando uma bandeira muito parecida com a do Exército Insurgente da Ucrânia que atuava na Segunda Guerra Mundial (o grupo colaborava com os nazistas durante o conflito).

(Com AP)