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17/03/2014 16:10 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:13 -02

Crise PT x PMDB: Dilma envia Ideli e Cardozo para encontro com "desafeto" na Câmara

André Dusek/Estadão Conteúdo

O deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) vai se reunir com integrantes do governo federal no fim da tarde desta segunda-feira (17). Em pauta estará, entre vários assuntos, a crise entre PT e PMDB no Congresso Nacional, mais notadamente na Câmara Federal.

Segundo informações do Blog do Camarotti, Cunha será recebido pela ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, e pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. O chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, não vai participar do encontro. O vice-presidente Michel Temer também deve participar do encontro, segundo a Agência Brasil.

O governo decidiu se reunir com Cunha, líder do “blocão”, grupo do PMDB e de outros deputados da base insatisfeitos com os rumos da política adotada pelo Palácio do Planalto nos últimos meses, antes de cogitar mandar para votação o projeto do Marco Civil da Internet. Se a conversa não render um entendimento e Cunha mantiver o discurso de que a bancada peemedebista vai votar toda contra o projeto, a tendência é que a matéria mais uma vez seja retirada da pauta, a pedido do governo.

Anteriormente, o governo tentou acalmar os peemedebistas com uma reunião que incluiu todos os caciques do partido, menos Cunha, o que foi interpretado como uma tentativa de isolar o deputado. No dia seguinte, ele acabou recebendo apoio dos colegas de partido e os ânimos de acirraram mais uma vez na Câmara.

Antes de embarcar do Rio de Janeiro para Brasília, no início da tarde desta segunda-feira, Cunha postou no Twitter que a “posição que a bancada adotará em cada matéria será sempre a decisão da bancada e nunca a minha” e que a reunião que terá com os emissários da presidente Dilma Rousseff deve ser considerada “normal”.

A ala dos insatisfeitos deu mais uma mostra de descontentamento na manhã desta segunda-feira, ao não prestigiar a posse dos novos ministros do governo. Contudo, não há certeza que sairá uma posição final em torno do impasse instalado há meses no Congresso.

Como bem pontuou o jornalista José Roberto de Toledo, em sua coluna do jornal O Estado de São Paulo: o quadro atual da crise parece distinto de situações semelhantes do passado. “Há sinais de que a rebelião peemedebista enfrentada pelo governo Dilma não é mais da mesma chantagem de sempre. É mais grave, é estrutural.”