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13/03/2014 16:16 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:13 -02

Ato contra a Copa: polícia espera 2.000 manifestantes no Largo da Batata

Thiago Bernardes/Estadão Conteúdo

O terceiro Ato Contra a Copa do Mundo acontece nesta quinta-feira (13) no Largo da Batata, bairro de Pinheiros, em São Paulo. A concentração está marcada para às 18h.

Segundo o Tenente Coronel Eduardo, comandante do 16º batalhão da PM, e que ficará responsável pela operação nesta quinta, o uso de táticas como Kettling, quando os policiais cercam de maneira preventiva um grupo de manifestantes e fazem a detenção um a um deles, e de armas que disparam balas de borracha não estão descartadas. “Se houver violência generalizada, há possibilidade, sim, de usar munição química e até o elastômero [bala de borracha]”, explicou o PM em reunião aberta para jornalistas e ativistas.

“Se for necessário o Kettling, será mais seletivo. Vamos tentar evitar cercar jornalistas, advogados e tentar manter só os Black Blocs”, disse o comandante. “Vamos tentar afastar o Ketltling para que essa atuação não acabe com o protesto e os manifestantes pacíficos consigam passar ao redor dele”, explicou.

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O comandante tampouco descartou a possibilidade de detenções “para averiguação” de manifestantes. Segundo ele, caso algum manifestante estiver portando armas ou objetos como martelos, por exemplo, ele deverá ser detido por “estar portando algum objeto que possa indicar uma eventual ação de prejuízo à população”.

Segundo Luiz Guilherme Ferreira e Geraldo Santamaria Neto, advogados do grupo Advogados Ativistas, a prisão para averiguação é ilegal. “A pessoa só pode ser presa por ordem judicial ou em flagrante. O fato de portar algo que pressupõe que ela vá cometer crime não autoriza a prisão”, disse Ferreira.

A Polícia Militar espera por volta 2.000 manifestantes. O evento no Facebook tem quase 14 mil pessoas confirmadas. A PM vai empregar aproximadamente 1.700 policiais, além de contar com apoio do Corpo de Bombeiros da região.

Dentro dessa conta, estão os 392 PM que vão acompanhar os manifestantes “lado a lado” e os 140 policiais que “comporão o efetivo de Controle de Multidões”, também conhecida como “tropa ninja”.

O efetivo da PM para este ato:

- 392 PM ficarão acompanhando os manifestantes, lado a lado;

- 140 PM comporão o efetivo de Controle de Multidões;

- 252 PM ficarão ao longo da Av. Brigadeiro Faria Lima;

- 252 PM ficarão ao longo da Av. Rebouças;

- 112 PM ficarão ao longo da Av. Teodoro Sampaio;

- 78 PM ficarão ao longo das Av. Cidade Jardim e Euzébio Matoso;

- Haverá 20 Patrulhas da ROCAM, no total de 40 PM;

- Haverá 62 PM distribuídos nas estações de metrô, ônibus e trem que dão acesso ao local da manifestação;

- Haverá 40 viaturas de Força Tática, total de 160 PM, que farão segurança da Tropa e apoio aos PM que estiverem a pé nas vias e Terminais de metrô, ônibus e trem

A manifestação sairá do Largo da Batata e os organizadores do protesto não divulgaram o trajeto, mas a PM conta com a probabilidade de ela seguir tanto para o Palácio do Governo quanto para a avenida Paulista.

Um dos organizadores do ato, que preferiu não se identificar, explica que cada protesto é marcado por uma bandeira. O ato desta quinta-feira será em defesa de uma melhoria nos Transportes. "Por reunir diferentes bancadas e coletivos, os atos vão crescendo a cada protesto", explica o manifestante.

No primeiro, em 25 de janeiro, era em defesa da Saúde e contou com cerca de 1.500 manifestantes, um deles foi baleado pela polícia. No segundo ato, em 22 de fevereiro, a pauta era Educação. Dos cerca de 1.500 manifestantes, 260 foram detidos. Foi, também, o primeiro protesto que a PM usou a polêmica tática do Kettling.

O Brasil Post esteve no segundo protesto e fará cobertura ao vivo do terceiro ato na tarde desta quinta-feira.